Bate o ritmo em Lisboa e chega a música da Nova Batida

A 2.ª edição do Nova Batida, festival dedicado à música electrónica (e não só) que emerge nos centros urbanos de Londres a Kinshasa decorre desta sexta-feira a domingo na Lx Factory e no Village Underground, em Alcântara, Lisboa. Actuam Four Tet, Talib Kweli, Friendly Fires, Floating Points ou Jon Hopkins, entre muitos outros — e há também ioga, surf, palestras e viagens de barco.

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Os concertos têm lugar em quatro espaços divididos pela Lx Factory e pelo Village Underground Cecile Lopes

É um festival que aponta a quem vem de fora para descobrir a cidade, mas que pretende ser também boa experiência de três dias para quem nela vive. Oferece música e concentra-se nas electrónicas, no hip hop, no jazz, nos sons que emergem nos centros urbanos que se estendem de Londres a Kinshasa, passando por Nova Iorque e, claro, por Lisboa. Mas também há lugar para aulas de surf e de ioga ou viagens de barco pelo Tejo. A segunda edição do Nova Batida, que terá lugar na Lx Factory e no Village Underground, em Alcântara, Lisboa, entre esta sexta-feira e domingo, faz da cidade o seu cenário e traz até ela Talib Kweli, Four Tet, KOKOKO!, Friendly Fires, Ibibio Sound Machine, Floating Points ou um homem da casa como DJ Marfox.

As actividades começam cedo (as sessões do Fat Bhudda Yoga acontecem numa sala no Lx Factory às 10h30; as aulas de surf em Carcavelos começam também pela manhã, às 11h e repetem às 14h). Antes de se ouvir e de se dançar a música, também haverá tempo para a pensar e discutir através de conversas com quem a cria. Terão lugar diariamente na Livraria Ler Devagar, ao início da tarde, e por ali passarão John Talabot e Mr Scruffs (sexta-feira), Paul Woolford (sábado) e Auntie Flo (domingo, antecedendo uma palestra em que músicos de várias origens discutirão o desenvolvimento e impacto cultural e social das cenas locais britânicas, indianas, brasileiras e portuguesas). Depois, à medida que a tarde avança e dá lugar à noite, antes de esta dar lugar à madrugada, chegará toda a música, que se dividirá por quatro espaços no Lx Factory e no Village Underground. Para os residentes em Portugal, os bilhetes têm o preço de 25 euros (entrada diária) e 70 euros (passe de três dias).

Entre o multifacetado cartaz encontramos um peso pesado do hip hop enquanto força activista na figura de Talib Kweli, o homem que formou os Black Star com Mos Def no final dos anos 1990, antes de iniciar uma distinta carreira a solo de que Radio Silence, editado em 2017, é o registo mais recente. Kweli actua no mesmo dia (sábado, 19h), em que passam pelo Nova Batida os britânicos Friendly Fires (20h30), banda que espraia ideário indie sobre ritmos funk-punk e alusões nu-disco — Inflorescent, o novo álbum, foi editado em Agosto —, e em que os Jungle trocam instrumentos pelos pratos para um DJ set com início marcado para as 22h30.

No primeiro dia de festival, atenções centradas nos KOKOKO! (16h30), a banda congolesa que mostrou recentemente no Vodafone Paredes de Coura como retrata de forma vibrante e personalizada a realidade musical actual de Kinshasa, e no concerto de Nubya Garcia (18h), saxofonista que é uma das figuras em destaque na efervescente e transformadora nova cena jazz londrina. Dia recheado, contará com Floating Points, ou seja, o músico (e neurocientista) britânico Sam Shepherd (22h30), com o desejo de transcendência de Jon Hopkins (24h) e com o catalão John Talabot (2h), que iniciará a sua actuação no Lx Factory à mesma hora em que DJ Marfox começará a libertar o seu afro-house, kuduro cósmico e demais feitiçarias rítmicas no Village Underground.

Domingo, o último dia, apresenta-se Four Tet, ou seja, Kieran Hebden, nome fulcral da música electrónica das últimas duas décadas, colaborador de nomes tão diversos quanto Thom Yorke, Burial ou baterista jazz Steve Reid, e dono de uma visão artística abrangente e sempre curiosa por novas explorações (24h). Hebden chegará quase no fim do festival, depois de, nesse domingo, cortesia dos Ibibio Sound Machine, termos tido acesso à visão de um afrobeat contemporâneo, contaminado por pós-punk e mecânicas electrónicas (19h30), e de, com o set de Awesome Tapes From Africa (o blogue tornado editora, tornado plataforma de divulgação musical, criado em 2006 pelo americano Brian Shimkovitz), viajarmos para descobrir o mundo de sons criados África fora em décadas passadas (16h). Nem todo o público do festival ouvirá a música que Shimkovitz tem para mostrar. Alguns preferirão avançar Tejo dentro: o Nova Batida organiza diariamente festas em barco que partem rio fora às 15h e por ele navegam até às 18h (DJ Seinfeld e Haai, sexta-feira; Daniel Avery e Kettama, sábado; e Dan Shale e Saiorse, domingo, serão os DJs de serviço).

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