Joe Berardo confirma que já foram arrestadas 2200 obras de arte

O arresto judicial incluiu o dobro das obras do Museu Berardo.

Museu Coleção Berardo
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Museu Berardo no Centro Cultural de Belém Rui Gaudencio

São no total 2200 as obras de arte da colecção de Joe Berardo arrestadas no âmbito da acção judicial solicitada por três bancos credores, aos quais o empresário deve quase mil milhões de euros, confirmou ao PÚBLICO fonte próxima de Berardo.

O processo movido pela CGD, BCP e Novo Banco à Associação Colecção Berardo, que detém as várias colecções de arte do empresário madeirense, já arrestou mais do dobro das obras que estão depositadas no Centro Cultural de Belém (CCB), noticiou esta sexta-feira o Jornal Económico.

No CCB foram arrestadas mil obras de arte, 862 das quais estão ao abrigo do acordo estabelecido entre o Estado português e Berardo para a exibição desta importante colecção de arte moderna e contemporânea que está desde 2006 em Belém. Segundo aquele jornal, as restantes 1200 foram arrestadas no Aliança Underground Museum, em Sangalhos (Aveiro), e no Bacalhôa Buddha Eden, no Bombarral.

O arresto judicial da Colecção Berardo foi noticiado pelo PÚBLICO no final de Julho; poucos dias depois, uma equipa da Justiça entrava no CCB para fazer a inventariação da colecção, mas na altura o empresário não confirmou ao PÚBLICO ter sido notificado do arresto.

No início de Agosto, o Jornal Económico já tinha noticiado que o arresto podia abranger mais 1200 obras da Associação Colecção Berardo (ACB), acrescentando esta sexta-feira que a ACB, proprietária das obras, foi notificada a 4 de Setembro.​

“Foram todas as obras arrestadas, o que só comprova que não existia qualquer risco de extravio”, diz a mesma fonte ao PÚBLICO, contestando a necessidade da providência cautelar que resultou no arresto enquanto se aguarda a decisão do tribunal em relação à penhora dos títulos da ACB e da colecção de arte.

A equipa de advogados de Berardo vai agora opor-se ao arresto, o que deverá ser feito em breve devido aos prazos judiciais. “Não só vai ser deduzida oposição como também solicitada reparação dos elevados prejuízos causados ao bom nome da única instituição que permitiu aos portugueses ter contacto com os maiores movimentos de arte moderna mundiais”, afirma a fonte próxima de Berardo.

Através do seu serviço de comunicação, o CCB confirma também ao PÚBLICO que no âmbito dos autos de arresto foram constituídos “fiéis depositários” das obras; no caso das que se encontram expostas no centro cultural, o fiel depositário é “a Fundação Centro Cultural de Belém, na pessoa do seu presidente, Elísio Summavielle”.