Opinião

Cartas ao director

Políticas sectárias

Pensei que o surgimento do PAN, o partido das Pessoas, dos Animais e Natureza, pudesse trazer uma lufada de ar fresco à política portuguesa. Fiquei desconfiado quando foi aprovada a ridícula lei que permite a presença de animais de estimação em restaurantes da qual este partido foi o projectista, mas tive a certeza do seu sectarismo quando o seu deputado afirmou querer criar uma “espécie de Serviço Nacional de Saúde para animais”, isto quando se põe em causa a sustentabilidade futura do SNS, a falta de recursos humanos e de investimento público na saúde. António Arnaut, “o pai do SNS”, deve ter dado voltas ao caixão a ouvir tamanha barbaridade, assim como as pessoas que ainda não têm acesso aos cuidados de saúde pública devido a desigualdades territoriais, os que aguardam meses por cirurgias e pelos desconcertantes tempos de espera nas urgências.

Emanuel Caetano, Ermesinde

Paulo Rangel

Devo confessar que não sou, de todo, um apreciador de Paulo Rangel e dos seus estilos de fazer política à base de sound-bytes. Tampouco lhe reconheço outro mérito que o de aparecer nos sítios adequados e nos momentos certos, para fazer “prova de vida”, sem nunca se comprometer com nada. Aliás, as suas intervenções políticas e estratégia de campanha nas últimas eleições europeias, são disso prova, conseguindo um dos piores se não o pior resultado do partido. Resultado? Voltou para Bruxelas tranquilamente, deixando Rui Rio à mercê de todas as críticas, limitando-se a continuar as suas intervenções pontuais, visando já o pós-Rui Rio.

Por este facto, surpreende-me que venha conseguindo sobreviver a todas as lideranças do PSD, mantendo-se como eurodeputado em Bruxelas.

Neste caso, o que motiva a minha intervenção, está o escrito de ontem no PÚBLICO, sobre Elisa Ferreira e o pelouro que lhe foi atribuído. Sabe-se da sua aversão a António Costa e da sua dificuldade em digerir as sucessivas derrotas que vai sofrendo mas responsabilizar o PM por não ter conseguido um pelouro importante para a nossa comissária parece-me não apenas excessivo como odioso.

Para quem está há mais de dez anos no PE, é preciso não ter a noção do verdadeiro “peso” de Portugal no contexto europeu para exigir o céu e responsabilizar quem não o consegue. De Paulo Rangel, podemos esperar quase tudo, menos uma palavra de conforto, positiva ou uma atitude conciliatória. Dele, tudo é ácido, amargo, insuportável…

Rui Reis Pereira

Ajuda

A importante empreitada em curso no Palácio Ajuda, deveria incluir o restauro da Torre da Ajuda e da sua envolvência e acabar com as infiltrações no Palácio. Um Museu das Descobertas seria redundante já que o espólio da época está preservado nos nossos museus, onde constitui elemento importante das suas colecções. Justifica-se, antes, três centros interpretativos dos Descobrimentos e da expansão, em Lisboa (Torre de Belém ou Padrão dos Descobrimentos), no Porto (casa do Infante) e em Sagres. As modernas tecnologias permitiriam o museu virtual.

Artur Carvalho, Lisboa