Sondagem por ordem de preferência põe Elizabeth Warren à frente de Joe Biden

Ex-vice-presidente dos EUA lidera a generalidade das sondagens na corrida do Partido Democrata pela nomeação à Casa Branca, mas as contas complicam-se quando se vão eliminando candidatos para ficar apenas um. Esta noite há mais um debate entre os dez democratas na corrida.

Warren e Bernie Sanders vão estar no terceiro debate, esta quinta-feira
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Warren e Bernie Sanders vão estar no terceiro debate, esta quinta-feira Reuters/Lucas Jackson

A senadora norte-americana Elizabeth Warren, uma das favoritas a enfrentar Donald Trump nas eleições presidenciais de 2020 pelo Partido Democrata, surge no topo das preferências numa sondagem da empresa YouGov feita de propósito para avaliar um método de escolha diferente do habitual. Em vez de os inquiridos escolherem apenas um nome, foi-lhes pedido que ordenassem cinco candidatos por ordem de preferência – no final, Warren bateu o ex-vice-presidente Joe Biden por seis pontos.

A pedido do site de notícias Vox, a empresa de sondagens testou um método usado no estado norte-americano do Maine, em algumas eleições, para demonstrar a diferença nos resultados em relação às sondagens tradicionais.

Os inquiridos foram convidados a ordenar os nomes de cinco dos 20 candidatos à nomeação pelo Partido Democrata. Para além de dizerem que candidato preferiam ver a enfrentar o Presidente Trump no próximo ano, disseram também a quem gostariam que o seu favorito passasse o testemunho se fosse forçado a abandonar a corrida, e assim sucessivamente.

Os resultados da YouGov mostram que Joe Biden recebe mais votos como favorito do que qualquer outro candidato – confirmando-se a tendência da generalidade das sondagens –, mas perderia a nomeação para Elizabeth Warren se o método de escolha fosse diferente.

No final da primeira ronda de votações, o presidente da Câmara de South Bend, Pete Buttigieg, foi o menos votado dos cinco. Buttigieg foi então eliminado da corrida, mas os boletins de voto em que o seu nome surgiu como primeira opção não foram deitados ao lixo – em vez disso, os votos nos outros candidatos, como segundas, terceiras e quartas opções, foram distribuídos pelos que passaram à segunda ronda de votações, e assim sucessivamente até ficarem apenas dois.

Foi assim que Joe Biden continuou a ser o mais votado no final de cada ronda, sempre com mais do que qualquer outro candidato, mas longe de uma maioria absoluta.

Quando a corrida ficou reduzida a três, Biden teve 39%, Elizabeth Warren teve 38% e Bernie Sanders teve 23%. Depois de distribuídos os votos nos boletins em que o senador do Vermont era a primeira opção, Warren surgiu vencedora, com 53% contra 47% de Biden.

Mas não é este o método que leva à escolha dos candidatos na generalidade das eleições, e o antigo vice-presidente dos EUA mantém-se no topo das sondagens, com uma média de 26,8% segundo o site RealClearPolitics. Elizabeth Warren e Bernie Sanders surgem atrás, com 17,3% e 16,8%, e a fechar os cinco favoritos estão a senadora Kamala Harris (6,5%) e o mayor Buttigieg (4,8%).

Biden contra Warren

A sondagem da YouGov é divulgada no dia em que se realiza o terceiro debate entre os candidatos do Partido Democrata à nomeação para a corrida à Casa Branca.

A partir das 20h desta quinta-feira (hora local, 1h da manhã de sexta-feira em Portugal continental), dez candidatos vão subir ao palco na Universidade do Sul do Texas, em Houston, para um debate com vários pontos de interesse.

Depois de dois debates com 20 candidatos, divididos por duas noites, o debate desta quinta-feira vai contar com apenas dez candidatos – os que conseguiram cumprir os requisitos do Partido Democrata em termos de número de apoiantes financeiros e resultados nas sondagens.

Pela primeira vez, Joe Biden e Elizabeth Warren vão estar no mesmo palco, esperando-se que se envolvam numa discussão sobre o futuro do Partido Democrata e a melhor forma de galvanizar os eleitores contra Donald Trump.

Biden dirá que é pelo centro, com propostas que não afastem totalmente o eleitorado de estados como o Wisconsin, a Pensilvânia ou o Michigan, que preferiram Trump a Hillary Clinton em 2016; e Warren dirá que é mais pela esquerda, enfrentando as grandes empresas do sector financeiro e reforçando os apoios sociais.

É também provável que Elizabeth Warren e Bernie Sanders continuem a evitar um confronto directo, como fizeram nos dois primeiros debates, já que disputam sensivelmente o mesmo eleitorado e nenhum quer, para já, arriscar uma hemorragia de apoiantes para o outro lado.

Será também uma das últimas oportunidades para que a senadora Kamala Harris prove que tem condições para chegar às eleições primárias, a partir de Fevereiro de 2020, com hipóteses de ganhar. E para que o mayor Pete Buttigieg demonstre que não foi apenas mais um fenómeno mediático de Verão, como parece ter acontecido com o ex-congressista do Texas Beto O’Rourke.

A fechar o grupo de dez estão os menos bem colocados nas sondagens – o empresário Andrew Yang, o senador Cory Booker, a senadora Amy Klobuchar e o ex-secretário da Habitação Julián Castro.

O quarto debate realiza-se em meados de Outubro e ainda não foi decidido se haverá uma ou duas noites. Para além dos dez candidatos que se qualificaram para o debate desta quinta-feira, o multimilionário Thomas Steyer também já cumpriu os requisitos do Partido Democrata para estar presente na próxima ronda, a 14 ou 15 de Outubro.