Criadores portugueses mostram em Londres como a moda pode ser sustentável

A Semana de Moda de Londres abre a passerelle esta sexta-feira. Um evento paralelo dedicado à sustentabilidade na moda inclui sete projectos de Portugal.

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Marita Moreno define-se como uma marca de “moda lenta” DR
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Marita Moreno DR
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A Vintage for a Cause apresenta roupas cem por cento recicladas DR
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A Vintage for a Cause apresenta roupas cem por cento recicladas,A Vintage for a Cause apresenta roupas cem por cento recicladas DR,DR
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Uma peça Musgo Design DR
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Uma peça Musgo Design DR
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Benedita Formosinho recorre à reutilização criativa DR
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Benedita Formosinho DR
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"Os produtos Jinja vêm com um selo de responsabilidade" DR
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Individuais Jinja DR
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Plantas suspensas pela Fiu - Suspended Gardens DR

Depois de Nova Iorque, é a vez de Londres dar cartas na moda, a partir desta sexta-feira, dia 13, e até 22 de Setembro. E, fora das principais passerelles, os eventos paralelos multiplicam-se. É o caso da Pause, uma secção dedicada à moda sustentável, que inclui sete projectos portugueses — Ablesia, Benedita Formosinho, Fiu - Suspended Gardens, Jinja, Marita Moreno, Musgo Design e Vintage for a Cause.

Ablesia, conhecida por comprar excedentes e reservas de fábricas locais em Portugal, que utiliza para as suas peças de vestuário, nas quais investe em materiais amigos do ambiente, vai revelar a sua estética “atemporal” e “minimalista”. Também A Vintage for a Cause apresenta roupas cem por cento recicladas, originais e exclusivas, que resultam da combinação de peças usadas com desperdícios têxteis, através de técnicas de costura a outras manualidades, como o tricô ou o croché. 

Benedita Formosinho leva a Londres um design que se inspira “na mulher, na natureza e no contraste de formas, texturas e assimetrias” para mostrar peças da sua colecção de vestuário e de acessórios femininos. Destaque para o facto de usar materiais sustentáveis e em upcycling, numa reutilização criativa que ocupa o tear manual, criando peças únicas a partir dos desperdícios das suas colecções. Já pelos acessórios, a marca recorre a materiais naturais, como o junco, o cânhamo e o burel.

Sob o conceito de “moda lenta”, Marita Moreno, uma marca portuguesa de calçado e carteiras, para homem e mulher, chama a atenção para o facto de se fazer valer de recursos endógenos locais e nacionais, artesanais e industriais. “Em todas as colecções existe uma preocupação com o processo criativo utilizando materiais de qualidade, que permitam uma maior durabilidade dos produtos, e garantindo um design intemporal, o que assegura ciclos de vida mais longos para os produtos”, lê-se em comunicado.

A moda ao serviço da casa

Entre os portugueses presentes nesta pop-up store, que pode ser visitada no Freemasons’ Hall, há ainda espaço para outras tendências. É o caso da designer portuguesa Norma Silva, que segue para a capital do Reino Unido com a sua marca Jinja, uma empresa que projecta e produz uma ampla gama de produtos domésticos originais artesanais feitos com 100% de resíduos têxteis reciclados. “O respeito pela natureza está subjacente a todo o processo criativo de design ecológico, o que significa que os produtos vêm com um selo de responsabilidade.” 

No caso da Musgo Design, os produtos, destacam, “são construídos a partir de madeiras antigas que tiveram outra vida”, aproveitando “detritos de construções antigas”, desde portas velhas até partes de estruturas de telhados. E, pelo meio, apoiando pequenas empresas, “com personalidade e amor”.

Por fim, a Fiu - Suspended Gardens, um projecto inspirado numa antiga técnica japonesa, vai mostrar de que forma se pode usar as plantas suspensas como decoração.

Marques'Almeida, embaixadores lusos

No evento principal, há dois portugueses sob os holofotes, com o desfile agendado para sábado, dia 14. A dupla constituída por Marta Marques e Paulo Almeida, que, no início do ano, surpreendeu Paris com uma colecção inspirada pelo punk britânico e pelas “referências instintivas” de Portugal, leva a Londres as suas propostas. E nestas não deverão faltar as suas interpretações do que é o luxo para um consumidor jovem.

A dupla teve o seu primeiro desfile na Semana da Moda de Paris em Setembro de 2018 e costuma ser acompanhada por uma comunidade, a M'A girls, que é composta por algumas raparigas que usam a roupa destes criadores na vida e nas redes sociais, além de frequentarem o ateliê, servirem de inspiração e desfilarem as roupas. O detalhe: na sua maioria, não são modelos profissionais, o que permite a Marta Marques e Paulo Almeida uma apresentação mais próxima das passerelles da vida real do que das da indústria.