António Costa vs. André Silva, a divergência está no ritmo

Os dois líderes estiveram na SIC e o frente-e-frente voltou a ser marcado por questões de ambiente e alterações climáticas.

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SEBASTIAO ALMEIDA
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LUSA/RODRIGO ANTUNES
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Nuno Ferreira Santos

Quando André Silva é interveniente, os debates têm menos economia e mais ambiente. Foi assim com Rui Rio, na sexta-feira passada, e voltou a ser assim esta quarta-feira, na SIC, com António Costa. E o líder do PAN não deixou escapar esse detalhe: “Há partidos que têm como primeiro capítulo matérias de ambiente e alterações climáticas, como o PS e o PAN, mas os temas não têm sido prioridade para os outros.  se debatem quando está o PAN". António Costa, por seu turno, quis deixar claro que há convergência em muitas matérias entre os dois partidos. “Não haverá divisão entre nós, pode é haver uma divergência quanto ao ritmo”.

As diferenças de ritmo foram marcando o frente-a-frente desde o início. O PAN estabelece a meta para a mudança de paradigma, em matéria ambiental, no ano de 2030. O PS atira para 2050 a neutralidade carbónica, por exemplo. O PAN quer fechar as centrais a carvão até 2023, o PS adia para 2025 e 2030. André Silva diz que o planeta não pode atingir o “ponto de não retorno” (expressão que repete frequentemente e que está plasmada no programa do partido), António Costa defende-se, explicando que o PS tem “metas ambiciosas para 2030, na trajectória para 2050”, mas não vai “mais rápido” porque é preciso dar tempo à transição económica e às famílias para reverterem “totalmente o seu modo de vida”.

“O PAN quer fazer a transição até 2030 e fechar centrais a carvão até 2023. Até 2021, nós conseguimos fechar os geradores do Pêgo e metade de Sines, e até 2023 conseguimos fechar os dois de Sines. É possível acabar com centrais de carvão até 2023”, especificou o deputado do PAN. Já o primeiro-ministro explicou que o que o PS prevê é “duplicar energia renovável até 2030, antecipar o encerramento da central do Pêgo e, entre 2025 e 2030, encerrar a de Sines”. Se a tecnologia tiver uma boa evolução, pode ser que consigamos antecipar. Não podemos é comprometer-nos a encerrar uma central sem termos a certeza”, acrescentou.

Em matéria de turismo, os dois líderes divergiram, com António Costa a recusar as quotas propostas pelo PAN. que temos de fazer com o turismo é a sua diversificação”, disse António Costa, enquanto André Silva defendeu medidas como a “definição da carga turística” para cidades como Lisboa.

Clara de Sousa, que moderou o debate na SIC, ainda tentou falar sobre Europa e supervisão bancária, mas as respostas de André Silva tinham sempre, como pano de fundo, o ambiente.

No fim, a jornalista deixou dois cenários hipotéticos aos líderes e pediu-lhes que respondessem o que fariam se fosse com eles. Ao socialista perguntou o que faria se o seu filho, que em breve deverá ser presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, fosse convidado para o seu Governo. “Estou convencido de que nenhum membro do Governo convidaria o meu filho e estou certo de que ele não aceitaria integrar um gabinete de um Governo liderado por mim. Não é uma questão de ser prejudicado. É apenas uma questão de bom senso. Na minha família somos todos independentes e pensa cada um pela sua cabeça”, respondeu António Costa, acrescentando que a SIC nunca deixou de ser independente pelo facto de o seu irmão, Ricardo Costa, ser director.

André Silva foi questionado sobre se aconselharia um familiar seu que fosse vítima de um crime violento a reconciliar-se com o seu agressor.”A proposta do PAN visa implementar em Portugal o que já se faz lá fora em termos de justiça regenerativa, permitindo que vítimas e agressores, que assim o queiram e entendam, possam ficar em paz” depois de cumprida a pena. “Se acontecesse a um familiar meu, não ia obrigar nem convencer ninguém a fazê-lo, mas se houvesse essa possibilidade, e alguém da minha família, o quisesse, muito bem”, assumiu André Silva.