O ciclismo teve, finalmente, o dia de Fuglsang

O português Rúben Guerreiro, depois de ter acompanhado os favoritos em grande parte da subida final, consolidou o lugar no top-20 da Vuelta.

Bicicleta de estrada
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O pelotão da Vuelta LUSA/JAVIER LIZON

Aos 34 anos – e 13 anos depois de ter aparecido no World Tour –, o ciclista dinamarquês Jakob Fuglsang venceu uma etapa numa “grande volta”. Nesta segunda-feira, na 13.ª etapa da Vuelta, o ciclista da Astana, com triunfos em todo o tipo de provas, conseguiu, desta forma, um objectivo que há muito procurava e que dá seguimento à grande temporada da equipa cazaque.

Entre os favoritos, o líder Primoz Roglic não cedeu terreno para Miguel Ángel López e Tadej Pogacar e ainda aumentou para quase três minutos a diferença para Alejandro Valverde, o segundo classificado. Nota, ainda, para a grande etapa do português Rúben Guerreiro, que, depois de ter acompanhado os favoritos em grande parte da subida final, consolidou o lugar no top-20, subindo da 16.ª para a 15.ª posição.

Montanha antes do descanso

Para o início da última semana da Vuelta 2019, a organização preparou uma etapa curta, mas de alta montanha. O pelotão teve de ultrapassar três contagens de primeira categoria e um final em alto – o sexto na prova – situado no topo de uma subida relativamente suave, com “apenas” 6,2% de inclinação, mas que durou 20 quilómetros. O desafio foi, portanto, não a dureza da subida, mas, sobretudo, a longa extensão do percurso montanhoso até à meta situada no Alto de la Cubilla, nas Astúrias, no norte de Espanha.

E foi para esta última subida que ficou guardada a acção, já que, antes disso, as escaladas anteriores apenas foram animadas pela luta entre Ángel Madrazo e Geoffrey Bouchard pelos pontos da montanha – o francês “roubou” a camisola ao espanhol.

Descontando esta luta pessoal, pouco se passou durante mais de 100 quilómetros, numa etapa que teve uma fuga de 21 ciclistas – desta feita, sem nenhum português no lote –, mas com nomes importantes como Fuglsang, De Gendt, Luís León Sánchez, Gilbert ou Geoghegan Hart.

Com o melhor fugitivo a cerca de 18 minutos da liderança de Roglic, os mais de oito minutos que o pelotão “ofereceu” aos fugitivos foram suficientes para que a vitória final fosse discutida entre os elementos da fuga. Luis León Sánchez atacou a nove quilómetros do final, mas foi seguido por Fuglsang, companheiro de equipa, bem como Knox, Brambilla e Hart. O quinteto discutiu a vitória, sendo que o mais forte foi Fuglsang, ganhando a primeira etapa numa “grande volta”.

Mais atrás, houve luta pela geral. Roglic e Valverde mostraram estar confortáveis na etapa 12, mas, nesta segunda-feira, ficaram evidentes as dificuldades de Valverde em subidas tão longas. Beneficiou Roglic, que conseguiu acompanhar o ritmo dos jovens López e Pogacar, ambos “à caça” de Valverde na geral.

Nesta terça-feira, não há bicicletas na estrada, com o pelotão a gozar o último dia de descanso até ao final, em Madrid. A Vuelta regressa à estrada na quarta-feira, para uma etapa presumivelmente tranquila e indicada para um final ao sprint.