Reportagem

A praia da Costa Nova continua a ser um ponto “delicioso”

Começou por ser terra de pescadores e os seus típicos palheiros às riscas são parte dessa história.

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Desenho floral
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Nem mesmo um céu carregado de nuvens consegue ofuscar-lhe o brilho. A “culpa” deve ser das cores alegres que decoram as fachadas do seu casario. Ou talvez do espelho de água que a acompanha, em toda a sua extensão, transformando-a numa aparentemente frágil língua de areia, plantada entre o mar e a ria. A Costa Nova tem um encanto muito próprio e, faça chuva ou faça sol, não há quem se atreva a sair desta praia do município de Ílhavo sem ir carregado de fotos – os seus palheiros são dos cenários mais replicados nas redes sociais – e com um forte desejo de voltar.

Começou por ser terra de pescadores – após a abertura da Barra de Aveiro (1808), as companhas fixaram-se na “costa nova” – e os seus típicos palheiros às riscas são parte dessa história. Os armazéns de madeira que os homens do mar usavam para guardar as redes viraram casas de praia, pintadas em tons azuis, verdes, vermelhos ou amarelos, intercalados com branco – o palheiro que pertenceu ao jornalista e político José Estêvão ainda mantém o tom original (vermelho ocre). A Costa Nova estava, assim, transformada em local de veraneio atraindo, inclusive, alguns notáveis.

Eça de Queirós era um dos seus maiores fãs e, em 1893, referia-se a esta praia como “um dos mais deliciosos pontos do globo”. Ninguém ousará contrariar algo escrito por Eça de Queirós, certo? Ainda para mais quando constatamos que a Costa Nova do Prado – os locais ainda fazem questão de a tratar pelo nome completo, explicado com base no facto de ali ter existido um prado – conseguiu escapar quase ilesa à pressão imobiliária e à construção em altura.

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Estender a toalha sem preocupações

Mesmo sofrendo dos “males” de que sofrem as praias atlânticas do norte e centro – clima mais instável e água do mar mais fria -, a Costa Nova consegue ser um dos locais de veraneio mais procurados do país. E tem razões para tal: um areal limpo e extenso, protegido pelo cordão dunar, e várias áreas protegidas e vigiadas para ir a banhos. Com essa vantagem adicional: tirando os dias de pico do mês de Agosto, ainda é possível estender a toalha sem grandes preocupações quanto a espaço.

Pontuada por vários bares – alguns dos quais com serviço de empréstimo de pára-vento e espreguiçadeiras e finais de tarde animados por dj´s - esta praia ilhavense é bastante procurada pelos amantes dos desportos das ondas, sendo até palco de algumas competições nacionais e internacionais de surf e bodyboard.

Das águas da ria também surgem múltiplas propostas de actividades náuticas ou passeios de lazer. No fundo, é também por isso que a Costa Nova é tão especial: mesmo naqueles dias em que nem o pára-vento nos consegue ajudar a permanecer na toalha, há muito para aproveitar, dentro e fora do areal. 

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Farol da Barra e Praia Velha Nelson Garrido

À volta da praia

Costa Nova Beach Club
É um dos bares de praia mais concorridos desta praia ilhavense e, sem sombra de dúvida, um dos locais a considerar para aproveitar o pôr do Sol. Deitado nas espreguiçadeiras – às riscas, como os palheiros - , aproveite para brindar ao Verão com uma cerveja, acompanhada de um dos ex-libris da casa: as batatas fritas caseiras (iguais às que eram vendidas na praia, em sacos fechados com linha azul ou vermelha, dependendo de levarem ou não pimenta). A carta conta, ainda, com outros petiscos – tostas, saladas, amendoins, etc -, e uma grande variedade de bebidas. Se tiver a sorte de a visita coincidir com um desses finais de tarde que contam com a actuação de um Dj, tanto melhor.
(Aberto das 10h00 às 20h00. Facebook)

Farol da Barra e Praia Velha
Há vários motivos para dar um salto à vizinha praia da Barra e um deles tem uma dimensão considerável. O Farol da Barra, com 62 metros de altura - é o maior do país -, é merecedor de uma visita. Pelos ensinamentos de história marítima que ele tem para transmitir. E pela imensidão de costa que ele desvenda a quem ousa subir 288 degraus para chegar ao seu topo (visitas às quartas-feiras, entre as 13h30 e as 16h30). Já que está por ali, aproveite para se divertir na praia situada junto ao farol (conhecida como Praia Velha) e que conta, este ano, com um novo atractivo. Um parque de diversões aquático flutuante, que está a fazer as delícias dos veraneantes (disponível até 31 de Agosto e com bilhetes a 7,5 euros).

Via marginal até à Vagueira
Se é fã de caminhadas, corridas ou passeios de bicicleta não pode deixar de aproveitar a via pedonal e ciclável que liga a Costa Nova à vizinha praia da Vagueira, já no concelho de Vagos, sempre junto à ria. São pouco mais de 5 quilómetros (ida e volta dá 10), com os olhos postos no Canal de Mira e numa paisagem que vai mudando consoante a maré. Aproveite a viagem para seguir até ao areal da Vagueira e apreciar a pesca artesanal (arte xávega) que ainda se vai mantendo como uma das imagens de marca daquela praia. E não coma apenas com os olhos. Sente-se à mesa de um dos restaurantes locais e saboreie os peixes frescos que vão dominando as ementas. 

Jardim Oudinot
É um dos mais bonitos espaços públicos da região e especialmente recomendado para quem viaja em família. No Jardim Oudinot, situado na Gafanha da Nazaré – do outro lado da margem do Canal de Mira -, é possível fazer piqueniques, passear a pé ou de bicicleta, e aproveitar os parques desportivos, infantil e geriátrico. Também ali encontrará uma pequena praia fluvial – conhecida como “Praia dos Tesos” junto dos locais – e um pólo do Museu Marítimo de Ílhavo. O Navio-Museu Santo André, antigo arrastão bacalhoeiro, construído em 1948, está ali ancorado e pronto para receber visitas (bilhetes a 2 euros, para jovens e seniores, e 3,5 euros para adultos; encerra à segunda-feira).

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A tripa Nelson Garrido

Comer uma tripa 
Ir à Costa Nova e não comer uma tripa doce seria um grande pecado. Afinal de contas, foi ali mesmo, naquela praia, que aquele doce foi inventado. Uma “almofada” de massa de bolacha americana pouca cozida, recheada de chocolate, ovos moles ou simples, com esse toque final: a canela, por cima. Vale a pena enfrentar as filas que ao fim-de-semana se vão formando nos quiosques da bolacha americana para degustar este produto icónico da praia, que já vai ganhando novas variantes de recheio – chocolate branco, compotas, nuttela, etc. Se não ficar convencido, ou caso prefira um doce mais tradicional, rume ao Café Atlântica, situado na Calçada Arrais Ançã, e peça um pastel de nata da casa – eles estão sempre a sair, quentinhos.

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Mercado Nelson Garrido

Restaurante Dóri e Mercado
Por falar em sabores, a Costa Nova é rica em peixe e marisco fresco, como poderá constatar numa visita ao mercado – conta, inclusive, com bancas de venda de marisco cozido. No piso superior, encontrará um dos restaurantes mais recomendados daquela praia (e também da região). O Restaurante Dóri - que exibe à entrada uma embarcação igual à que era usada, antigamente, na pesca do bacalhau à linha – aposta nos sabores do mar e da ria. Tome nota de algumas das especialidades: feijoada de sames de bacalhau,  feijoada de búzios, ensopados de garoupa e rodovalho, fritada de peixe com arroz de lingueirão e línguas de bacalhau fritas com arroz de feijão, entre outras (informações e reservas: 234369017).

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Restaurante Dori Nelson Garrido

Aulas de stand up paddlewindsurf ou vela
Para quem não aguenta passar muitas horas estendido ao sol, há várias propostas de desportos de água, tanto no mar como na ria. Na escola Riactiva, situada junto ao cais de pescadores, poderá usufruir de aulas de windsurfkitesurf, surf, stand up paddle, vela, kayak, entre outras. E não precisa de levar os equipamentos consigo, uma vez que a Riactiva dispõe de serviço de aluguer. Aproveitando a sua localização à beira ria, na margem do Canal de Mira, a Riactiva conta ainda com uma esplanada que, durante o Verão, é também palco de aulas de yoga, nas manhãs de terça-feira, quinta-feira e domingo (mais informações em www.riactiva.com e através do telefone 919943595).