Santana Lopes: “Nós não somos deste sistema. Preconizamos um outro rumo”

Pedro Santana Lopes apresentou o programa da Aliança, no Porto, e disse que “a democracia é uma luta permanente, difícil e exigente”.

Pedro Santana Lopes, líder da Aliança
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Pedro Santana Lopes, líder da Aliança MIGUEL MANSO

Pedro Santana Lopes apresentou esta sexta-feira, no Porto, os candidatos e as principais linhas do programa da Aliança, partido de que é fundador. Num discurso de 40 minutos, emitido em directo no Facebook, Santana Lopes disse que não sabe o que fazer com “tanto ensinamento” que recolheu durante as oito semanas temáticas - roteiros - que recentemente o levaram de norte a sul do país. “São tantos os ensinamentos e as provas de inércia do Estado, que não sei bem o que fazer com eles: se hei-de fazer conferências, se hei-de fazer intervenções sucessivas no Parlamento depois de eleito, se hei-de publicar mais uns livros”, desabafou.

A pretexto dessa ronda, o líder da Aliança falou sobre “incompetência atrás de incompetência” e sobre a “insensibilidade” que resulta da falta de conhecimento da realidade do país, em especial no caso dos incêndios, e contou que o que mais ouviu, durante os roteiros que o levaram a fazer mais de 14 mil quilómetros (incluindo de comboio), foi: “nós não temos quem nos oiça, não temos voz”. Santana Lopes aproveitou a deixa para criticar a "distracção do Estado”. Mais tarde criticou a viagem que António Costa fez pela Estrada Nacional 2, dizendo que “foi espantoso ver o primeiro-ministro olhar para o país interior como se nunca o tivesse visto”. Foi muito aplaudido.

As oito semanas temáticas foram dedicadas a ouvir as expectativas, angústias, ansiedades, reivindicações e propostas dos vários estratos sociais, profissionais, etários, rácicos, religiosos que compõem a nossa comunidade. É uma lição enorme. Já fiz dezenas de voltas ao país e é sempre uma enormíssima lição”, explicou o líder da Aliança. “É um contraste muito grande: a inércia do Estado, o atraso, a lentidão e a incapacidade do Estado, e a fúria de vencer por parte da sociedade privada”, referiu, para elogiar a sociedade civil e as entidades privadas que fazem o seu caminho, procuram modernizar-se, inovar, lutar contra as adversidades”, enquanto o Estado está bloqueado e os seus serviços não dão resposta, seja na saúde, na educação, na segurança social ou nas lojas do cidadão.

“Nós não somos deste sistema. Não é nada fácil para a Aliança apresentar um programa eleitoral que deve ser um programa de Governo”, afirmou Santana. “Na verdade, preconizamos um outro rumo, com outra Constituição e outro sistema político. Não vamos deixar de lado a luta pelos círculos uninominais”, anunciou, fazendo ainda referência a propostas do partido como a criação de um senado ou a deslocalização de ministérios. O ex-líder do PSD pediu ainda para, na próxima legislatura, “não se aprovarem novas normas em matérias fracturantes” porque já as há “a mais”. E assumiu que a família deve ser encarada “como célula essencial da organização da sociedade”.

Pedindo aos portugueses que se dediquem a conhecer o programa da Aliança, Santana sublinhou que o partido que lidera é o único que propõe que “quem seja condenado por corrupção não deve poder voltar nunca mais a exercer funções públicas”. E também é o único a propor o provedor dos ecossistemas. 

No início da sua intervenção, Pedro Santana Lopes disse que “a democracia é uma luta permanente, difícil e exigente”. A meio, fez uma piada: “Com o passar dos anos estou cada vez mais parecido com Fidel Castro no tempo das intervenções e não quero que isso aconteça aqui”. No final, terminou falando sobre teatro. “Não nos deixemos enganar por aquela mais elaborada peça de teatro que eles montaram, como se se tivessem zangado. Eles são os mesmos. Se precisarem de se unir depois de 6 de Outubro para manterem o poder, vão-se unir. É por isso que pusemos cartazes por todo o país a chamar-lhes o que nunca lhe chamei: “chega de ‘geringonça'”.

Ousar mudar Portugal

Também o discurso do cabeça de lista pelo Porto foi emitido em directo no Facebook. Bruno Ferreira Lopes disse que as pessoas são o centro das prioridades do partido que “ousa mudar Portugal”. “Somos a força viva da mudança e o nosso adversário é o despesismo da esquerda e a cegueira ideológica e sobranceira da esquerda”, disse, na apresentação dos candidatos pelo distrito. 

Pedindo aos portugueses um “voto de confiança e de proximidade” nas eleições legislativas de Outubro, o professor universitário apontou alguns dos pilares do programa eleitoral do partido que privilegia o crescimento económico e coesão territorial. “O nosso programa é radicalmente ponderado e intransigente nos princípios e verdadeiro nas propostas”. E porque a sessão de apresentação dos candidatos a deputados decorreu no Porto, Bruno Ferreira Costa referiu que “é preciso dar mais voz ao norte”.