Opinião

Regresso às aulas: tudo preparado?

Há uma espécie de círculo que envolve as nossas vidas que se chama ‘ano letivo’. De alguma maneira, todos somos afetados por esta gigantesca roda dentada que nos põe todos a funcionar a um determinado ritmo.

Papel de parede
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moren hsu/Unsplash

Lá vamos voltar outra vez à rotina! Há uma espécie de círculo que envolve as nossas vidas que se chama ‘ano letivo’, ou simplesmente aulas. De alguma maneira, todos nós somos afetados por esta gigantesca roda dentada que nos põe todos a funcionar a um determinado ritmo.

Vejamos: o trânsito altera-se de uma forma caótica, marca as horas de ponta e determina as horas de sono, ou pelo menos a hora de levantar da cama, o que condiciona a hora de deitar. Basta este pormenor para marcar toda a rotina de uma casa. E com tantas alternativas sustentáveis de mobilidade, individuais ou em grupo, a serem promovidas nos diversos aglomerados urbanos, será que vale a pena experimentar e mudar a forma como nos deslocamos e fazemos deslocar as nossas crianças?

Depois vêm os lanches a colocar nas mochilas, que se querem cada vez mais saudáveis. Mas é preciso criatividade diária e alteração de hábitos há muito enraizados, tais como: adotar uma lancheira e abdicar dos pacotes de plástico individuais seja do que for, desde bolachas ou semelhantes até sumos ou refrigerantes e leites. Ou seja como fazer um (ou mais!) lanche diário e evitar ao máximo a utilização de plástico enviando snacks saudáveis para as crianças comerem?

Estes são apenas alguns exemplos dos desafios colaterais que o regresso às aulas proporciona na vida de todos os dias. Para aqueles que são os protagonistas desta série anual, as expetativas desenrolam-se de uma maneira muito particular. A primeira é a de rever os amigos e, quem sabe, fazer novos amigos. Para as crianças, adolescentes e jovens, as questões sociais são sempre de extrema importância, até porque assumem um papel regulador nos seus comportamentos e escolhas. A aquisição de novo material escolar é sempre uma excitação, o que se pode comprovar facilmente pelo frenesim nos supermercados. E neste capítulo é sempre aconselhável fazer uma revisão ao material que se tem em casa dos anos anteriores, pois a lista de material escolar aconselhado pelas escolas é quase sempre igual de um ano para o outro. E há sempre material que não se gasta num ano e outro que dura uma vida inteira! 

Mas há outros intervenientes nesta história, os quais, por vezes não assumem assim um papel tão secundário. Os pais e encarregados de educação tem um papel essencial na educação dos filhos, já todos o sabemos. Determinam o modo como se encaram os fracassos e potenciam o sucesso. Mas para que isso aconteça é necessário conhecer o ponto de partida de cada criança. Enquanto pais, conhecemos a mochila de potencialidades e aspetos a melhorar que cada um dos nossos filhos traz de origem? Sabemos o que podemos potenciar e quais os assuntos onde temos de ter paciência? Escolhemos a escola com o projeto educativo que fará dos nossos filhos as melhores pessoas para o mundo? E essa escola com o projeto educativo que nos entusiasma tem as pessoas capazes de o concretizar? Temos provas disso? Temos mais do que um filho, tão diferentes, é a escola que escolhemos a melhor para cada um deles? Estas são algumas das perguntas que passam pela cabeça dos pais ao longo do ano, mas principalmente na altura das matriculas e que se adensa neste aproximar da estreia de mais um novo ano.

Outros protagonistas profissionais do enredo são os professores e também os não docentes. A maioria já passou por algumas reformas educativas e já lecionou de muitas maneiras, sempre as melhores do momento. São das pessoas com maior plasticidade que conheço: aprendem ao longo de toda a vida e gostam de aprender, atualizam os conhecimentos na sua área de ensino, procuram inovar nas suas didáticas, adequam a sua linguagem e ensino a cada criança e à (sua) atualidade e interagem com todo o tipo de pais/encarregados de educação. E sempre foi assim.

Os bons professores sempre fizeram das suas aulas uma festa à curiosidade e ao conhecimento, e continuam a fazê-lo. Pelos recursos que trazem para as aulas, e pela centralidade na aprendizagem e descoberta de conhecimentos que se interligam e que nos espantam! Tanto nas aulas mais expositivas como em trabalhos de projeto, domínios de autonomia curricular, o que lhe queiram chamar; sempre que a construção e aquisição do conhecimento está no centro da escola, a aprendizagem acontece! E com grande prazer e satisfação! Mas os professores e todos os envolvidos no trabalho da escola, também sofrem por antecipação, têm ansiedade no regresso de cada ano letivo que começa e dormem mal na noite anterior de cada estreia! 

Com muitas dúvidas e poucas certezas, esta série faz-se episódio a episódio, muitas vezes adequando as necessidades às circunstâncias e alterando a rota inicialmente definida, para bem dos atores principais: os alunos. Posto isto e muito mais, está quase tudo pronto, esperamos. Vamos lá começar!

A autora escreve segundo o Acordo Ortográfico.