Opinião

¡Revolución y Muerte!

Estamos a reescrever a História, diminuindo o valor da herança da civilização ocidental, pondo em causa todos os factos, personalidades e lendas do imaginário identitário, renegando o direito natural, e forjando “novos factos” geradores de divisões e tensões de todo o tipo.

Camaradas, os implacáveis ventos da História sopram em favor da nossa causa revolucionária.

A máxima “proletários de todo o mundo, uní-vos" terá agora que ser actualizada e substituída.

Hoje, falamos de direitos humanos, de diversidade, de multiculturalismo, de migrações e da emergência climática. Não encontrámos ainda uma síntese, mas estamos a trabalhar incessantemente para a criação de um homem novo e de uma nova ordem mundial.

Nunca antes em Portugal, no pós-25 de Abril, reunimos condições tão favoráveis para concretizarmos a revolução comunista. Conseguimos reunir a generalidade das desavindas forças de esquerda. Os nossos camaradas maoistas, trotsquistas, leninistas e marxistas dominam o sistema partidário, liderando o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, subjugando o PS, controlando o PSD e domesticando o CDS. Estes dois últimos, a que insistentemente chamamos de “partidos da direita”, continuam a ser indispensáveis para legitimar, interna e externamente, o sistema político como democrático. Temos hoje “Um Governo, uma Maioria, um Presidente”, conforme, ironicamente, ambicionava Francisco Sá Carneiro. Conseguimos controlar todos os órgãos de soberania, todo o aparelho de Estado, o sistema de justiça e a comunicação social.

Não conseguimos concretizar o controlo directo da economia, após a falha das nacionalizações de 1975 e as subsequentes privatizações. Mas conseguimos o controlo indirecto, através da criação de um sem número de dependências da iniciativa privada em relação ao Estado, de uma tributação progressiva, cada vez mais pesada, cada vez mais omnipresente, cada vez mais eficaz, e usando todos os meios ao dispor, incluindo os mais intrusivos e coercivos. O Estado é hoje, como nunca antes, o “sócio” com mais poder em qualquer sociedade comercial, e o único que (ainda que esta tenha prejuízo) recebe sempre um importante quinhão da sua actividade. O Estado é hoje, como nunca antes, o “parente” que habita na casa de cada um, consumindo recursos sem nada contribuir ou o substituto estatal do “chefe de família” burguês e único meio de sustento, do qual dependem todos. Na prática, a economia é estatal e nenhum empresário ou cidadão é livre, a bem do nosso projecto colectivo.

O nosso projecto internacionalista não falhou, apenas foi adiado, após a queda da União Soviética. Estamos a reconstituí-lo, através da formação de blocos económicos e políticos, tendo como parceiro promotor e legitimador a ONU, que intervém e procura intervir em todos os domínios da actividade humana.

Na Europa, a União Europeia é o nosso bloco tendencialmente hegemónico, económico e cada vez mais político. Com a promessa de paz, prosperidade e solidariedade, nós e os nossos camaradas europeus, estamos a conseguir aumentar o poder dos órgãos não eleitos – o novo politburo – e a reduzir paulatinamente a soberania dos Estados-membros. Os instrumentos de política orçamental e financiamento dos Estados-membros são os principais instrumentos de submissão dos Governos, e demos já provas de que os utilizaremos de forma discricionária e severa, sempre que seja necessário, seja para punir derivas políticas, seja para as prevenir. Como indispensáveis parceiros, contamos com o grande capital financeiro, os grandes grupos económicos, os serviços de informações, os grupos de comunicação social globais e as corporações que controlam redes sociais, ao serviço da nossa causa. Sem capital, sem informação e sem comunicação, não há revolução. As revoluções de hoje são dispendiosas, coloridas e noticiadas em todo o mundo.

Os povos da Europa mantêm-se apegados às suas raízes culturais, às suas tradições, à sua língua e até à sua religião dominante, o cristianismo. Esta última é o principal obstáculo ao nosso projecto comunista, pelo que estamos a trabalhar intensamente na sua destruição e na sua diluição.

Estamos a reescrever a História, diminuindo o valor da herança da civilização ocidental, pondo em causa todos os factos, personalidades e lendas do imaginário identitário, renegando o direito natural, e forjando “novos factos” geradores de divisões e tensões de todo o tipo, baseados em questões raciais, religiosas, ideológicas ou sexuais, para que o orgulho nacional ceda lugar à vergonha e à auto-flagelação.

Abrimos as portas da Europa aos migrantes, invocando a defesa dos direitos humanos, primeiro para os refugiados, depois para os migrantes económicos. Os primeiros foram produzidos pela nossa acção directa em conflitos armados pelo controlo de recursos valiosos, contra o poder imperialista americano, ou pela nossa omissão perante guerras tribais ou a actividade terrorista, baseada em fundamentalismos religiosos. Os segundos pela necessidade de substituição da população europeia. Esta está a envelhecer e, desde a nossa Revolução Sexual iniciada em Maio de 1968, os índices de natalidade continuam em queda, encontrando-se abaixo do nível de substituição demográfica. Celebramos a baixa natalidade dos povos europeus, promovemos a homossexualidade, o aborto e a eutanásia. Simultaneamente, fomentamos as migrações massivas como direito humano e o multiculturalismo como forma de colonização da Europa por povos estrangeiros, com culturas e religiões diferentes, incompatíveis com a cultura ocidental. Povos que consideram as leis religiosas indissociáveis das leis do Estado. Povos tradicionalmente com elevados índices de fertilidade, alguns dos quais culturalmente favoráveis à poligamia, potenciando fortemente a natalidade.

Assinámos o Pacto Global para as Migrações, que entre outras estabelece direitos para os migrantes que, em boa verdade, não estão ainda assegurados para os nacionais, conforme previsto na Constituição de 1975; e a limitação da liberdade de expressão para os indivíduos, organizações e órgãos de comunicação social que se manifestem contra este nosso projecto humanitário.

A Família é um dos mais importantes valores e estruturas de organização social na Europa e no mundo Ocidental, sendo igualmente um obstáculo ao nosso projecto comunista, enquanto veículo de transmissão de valores e de propriedade. Fomos retirando, progressivamente, autoridade e poderes aos pais sobre os seus filhos, iniciando-os o mais precocemente no sistema de ensino e mantendo-os o maior tempo possível neste, de modo a maximizar a capacidade de influência do Estado sobre estes. Estamos a trabalhar há mais de 40 anos nas universidades e nas escolas, formando e captando novos camaradas, professores e alunos, para as nossas causas. Estamos a operar e a fomentar os activismos LGBT, feministas, ambientalistas, animalistas, pró-migrações, anti-fascistas, anti-racistas, etc., com financiamento assegurado pelo Estado português, pela UE, pela ONU e por outras organizações internacionais favoráveis às nossas causas.

Tudo isto está presente na Escola pública e tendencialmente, de forma obrigatória, também estará no ensino privado. Começámos pela destruição do sistema de ensino baseado no esforço e no mérito, gerador e perpetuador de desigualdades, substituindo-o por um sistema igualitário, que promove o pensamento crítico e a cooperação. Estamos a implementar nas escolas políticas de igualdade de género e de auto-afirmação da identidade de género, mas também de uma cultura favorável à iniciação precoce da actividade sexual e à normalização do consumo de drogas leves, instrumentos que podemos e devemos explorar para libertar cada vez mais as crianças e jovens da influência dos pais e das famílias, mantendo-os cada vez mais sob a protecção do Estado.

A Vida é outro dos valores fundamentais da Civilização Ocidental, e que, para os mais conservadores, é um valor absoluto, deve também ser relativizado. Nós, contrapomos com a liberdade. O caminho que trilhámos na defesa da mulher, dando-lhe a liberdade para decidir sobre o seu próprio corpo, podendo interromper a gravidez indesejada, sem penalização e com o apoio do Estado foi fundamental. Mas há que aprofundá-lo, para que possa decidir ainda mais tardiamente, em total liberdade.

A nossa primeira tentativa para legalização da eutanásia não foi conseguida. Teremos oportunidade na próxima legislatura, com uma clara maioria parlamentar, de a fazer aprovar. Não devemos, contudo, fazer desta uma bandeira eleitoral, uma vez que o povo português não está ainda preparado para a discutir e menos ainda decidir. A nossa vitória pode tardar, mas é certa.

Fidel Castro prometeu-nos: “Revolución o Muerte”.

Nós prometemo-vos ambas. Avante!

Assina,

A “geringonça” socialista