Out.Fest vai pôr Keith Fullerton Whitman a agitar a cena electrónica portuguesa

A 16.ª edição do festival de música experimental do Barreiro, que decorre de 3 a 5 de Outubro, já tem cartaz completo.

O influente Keith Fullerton Whitman vai fazer uma residência artística com os músicos portugueses André Gonçalves, Clothilde e Simão Simões.
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O influente Keith Fullerton Whitman vai estar em residência artística com os portugueses André Gonçalves, Clothilde e Simão Simões PR

O Out.Fest – Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro anunciou esta quarta-feira os nomes que completam o alinhamento da sua 16.ª edição, que decorre de 3 a 5 de Outubro. A notícia mais sumarenta é a colaboração inédita entre o visionário músico e compositor norte-americano Keith Fullerton Whitman, figura fundamental da música electrónica das últimas duas décadas e meia, que dirigirá um conjunto de agentes da cena electrónica portuguesa, entre os quais André Gonçalves, criador da marca de sintetizadores modulares ADDAC System, que fornece artistas como Depeche Mode, David Sylvian, Lloyd Cole ou Amon Tobin, e responsável pelo inovador projecto Música Eterna, um disco apresentado em forma de appClothilde, heterónimo de Sofia Mestre, que participou na última edição do Out.Fest, e que tem sido elogiada pela sua visão “progressista, narrativa, melódica e harmónica da síntese modular”, e Simão Simões, um dos mais entusiasmantes membros da nova geração de músicos que se focam na electrónica experimental em Portugal, juntam-se a esta parceria patrocinada pelo festival e pela Red Bull Music. Os músicos trabalharão em residência durante o festival e farão uma apresentação pública da colaboração no dia 5, às 17h10, no Auditório da Biblioteca Municipal.

Também no último dia, mas já depois da meia-noite (0h55), o Out.Fest receberá o colectivo afro-italiano Still, projecto do activista Simone Trabucchi, talvez mais conhecido pelo seu anterior alter-ego Dracula Lewis. Para o seu álbum de estreia, editado pela catedral berlinense PAN, o músico convidou três MC italo-africanos (oriundos da Eritreia e da Nigéria) e um MC italiano; o resultado é uma mistura de (entre outras influências) dancehall jamaicano, essencialmente na sua vertente mais digital e electrónica, kwaito sul-africano desconstruído e estéticas da primeira fase do grime inglês.

A harpista espanhola residente no Porto Angélica Salvi (16h15), que já trabalhou com músicos icónicos como Han Bennink ou Evan Parker, a DJ Mo Probs (2h), recentemente sediada no Barreiro, e o irlandês Davy Kehoe (18h50), em estreia em territórios nacionais, são as outras confirmações anunciadas pela organização do festival e também vão actuar no dia 5.

O 16.º Out.Fest, que já contava nas suas fileiras com os anteriormente anunciados Deaf Kids, Calhau!, James Ferraro, Dälek, Kali Malone e Mczo & Duke, decorre em diversos espaços da cidade do Barreiro. Na edição deste ano, o festival estreia-se em três novos cenários, nomeadamente a Igreja Paroquial de Santo André (que recebe os concertos de abertura), a Igreja da Nossa Senhora do Rosário (que acolhe a compositora Kali Malone para um concerto de órgão no final de tarde de dia 4) e o recentemente recuperado Moinho de Maré Pequeno. ADAO, SIRB “Os Penicheiros”, Teatro Municipal, Biblioteca Municipal e espaço A4 são os restantes locais desta edição, que contará ainda, tal como em 2018, com dois concertos gratuitos no largo do Mercado 1.º de Maio.

Os passes gerais para o Out.Fest estão à venda por 25€, os bilhetes diários custam entre 10€ e 15€.