Análise

A jornada 4 da I Liga foi repleta de “casos”

Foi uma ronda rica em casos, em que árbitros e videoárbitro (VAR) tiveram de intervir em lances polémicos e difíceis de análise.

No jogo Sporting de Braga-Benfica, ao minuto 3, Taarabt rematou e a bola foi bater no braço de Hugo Viana, que o tinha encolhido para junto do corpo, em posição natural e sem ganhar volumetria, razão pela qual não houve motivo para penálti.

Ao minuto 5, João Novais, com o braço, cortou a bola que ia para Raúl de Tomás, lance ocorrido fora da área, passível de livre directo e de cartão amarelo por corte de ataque prometedor. O árbitro nada assinalou, o VAR, por não se tratar de um lance enquadrado no protocolo, não pôde intervir, ou seja, nem era penálti, nem havia motivo para cartão vermelho.

Ao minuto 24, Hassan, de forma imprudente, falhou a bola e levantando o pé acertou na cara de Florentino. O jogo perigoso é punido com livre indirecto, mas quando há contacto passa a livre directo, enquadrando-se no “pontapear o adversário”. Por ter sido dentro da área foi passível de pontapé de penálti.

Minuto 66, André Almeida tocou com as mãos nas costas de Ricardo Horta, este contacto não teve intensidade para derrubar o seu adversário, mas em simultâneo e com o pé esquerdo, tocou claramente no pé esquerdo do jogador bracarense que o levou a tropeçar e a cair. Esta rasteira, mesmo sem querer, é feita de forma imprudente e é punida com pontapé de penálti. O VAR deu indicação ao árbitro para rever o lance, mas mesmo assim o juiz da partida manteve a decisão de nada assinalar. Contudo, ficou um pontapé de penálti por assinalar.

No jogo entre o Sporting e o Rio Ave, foram assinalados correctamente três pontapés de penálti, todos eles cometidos por Coates sobre Taremi Mehdi. Minuto 3, tackle deslizante que cortou uma clara oportunidade de golo. De acordo com a lei da tripla penalização, como foi na tentativa de jogar a bola usando as pernas, o cartão vermelho passou a amarelo. A mesma leitura para o penálti aos 89 minutos: tackle, contacto do joelho direito do jogador “leonino” no joelho esquerdo do seu adversário com corte de clara ocasião e golo e, como tal, também apenas o cartão amarelo (lei da tripla penalização), que na ocasião foi o segundo levando assim à expulsão por acumulação. Mais difícil de análise mas também bem assinalado foi o ocorrido ao minuto 82. Aqui foi o toque com a perna esquerda no pé esquerdo do adversário que levou à queda. Também de acordo com a lei da tripla penalização e por se tratar de um ataque prometedor, o cartão amarelo passa a “nada” em termos de acção disciplinar. Deste jogo realce ainda, ao minuto 25,  para o empurrão com as mãos de Bonndareko nas costas de Raphinha, que com esta acção o desequilibrou e fez cair e o retirou da possibilidade de jogar a bola. Foi uma jornada rica em casos de jogo, onde árbitros e vídeo árbitro (VAR) tiveram de intervir em lances polémicos e difíceis de análise. Por ter sido no interior da área era passível de penálti. O mesmo sucede com o pontapé com o pé esquerdo de Acuña, no calcanhar direito De Mehdi, ao minuto 42, também no interior da área “leonina” e que fez cair o jogador vila-condense. Compreendo que, por não se tratarem de erros claros e óbvios, o VAR, de acordo com o protocolo, se tenha abstraído de intervir.

Finalmente, no FC Porto-V. Guimarães, destaque para dois penáltis não assinalados a favor dos “dragões”. Minuto 60, Miguel Silva saiu na tentativa de interceptar a bola, falhou a mesma e com o antebraço acertou em cheio na cara de Marcano, fazendo-o cair. Penálti por assinalar. O facto de Marcano já ter cabeceado a bola, não conta para análise da infracção - a bola até podia estar a ser disputada no lado oposto do campo mas, desde que esteja em jogo e que ocorra uma infracção, esta tem de ser assinalada no local onde ocorreu e não onde está o esférico. Também ao minuto 68, Teixera, ao tentar pontapear a bola, falhou a mesma e acabou por, de forma imprudente, pontapear Luis Diaz que, com esta acção caiu. Lance que ocorreu na área e que era passível de penálti.

Minuto 80, Davdison viu cartão vermelho directo por linguagem injuriosa ofensiva e grosseira, e minuto 90+2, Marcano estava em posição legal quando fez o golo. Soares em fora de jogo de posição não obstruiu claramente a linha de visão do guarda-redes, como tal não tem interferência sobre Miguel Silva.

Por fim, o caso mais polémico da jornada, minuto 1, a expulsão de Tapsoba, por corte de clara ocasião de golo, o árbitro entende (e eu também) que os quatro factores que determinam o cartão vermelho existiram: distância entre a falta e a baliza (curta, a 19 metros da linha de baliza), direcção da jogada (direcção da baliza), possibilidade de manter ou controlar a bola (Marega tinha a bola em seu poder), posição e número de defensores (Bondarenko a três metros de Marega não tinha possibilidade de intervir em tempo útil dada a distância já curta de Marega em relação à baliza).