Muita cor, muita praia e pessoas com lama: os “cenários surreais” de María Moldes

©María Moldes
Fotogaleria
©María Moldes

A espanhola María Moldes nutre, há muito, um fascínio pelo ambiente de praia. "É provável que isso se deva à cor que lá encontro", explicou ao P3, em entrevista por e-mail. "As praias, durante o Verão, têm uma luz muito especial, que me atrai muito; além disso, a atitude de descontracção e desinibição que as pessoas adoptam transforma a praia no local no ambiente perfeito para disparar." E também para fazer disparar a imaginação. "Na praia, surgem cenários surreais, com muita cor, difíceis de encontrar noutro lugar."

A imaginação desempenha um papel fundamental na fotografia de María Moldes, que rejeita, por vezes, a realidade com que se depara. A que se vive no Mar Menor é um exemplo. "Existe, na zona do Mar Menor, um problema ambiental que procurei abordar neste projecto", refere a fotógrafa. A série Bloop é fruto de três anos de trabalho realizado numa vila chamada Lo Pagán, em Espanha, "uma zona com um ecossistema muito frágil, que se encontra num momento crítico". Se, por um lado, as águas se encontram poluídas, por outro há pessoas cobertas de lama em todo o lado — a área é conhecida pelos tratamentos terapêuticos. E o cenário parece ser de outro mundo.

María acredita que, a curto prazo, será dificil viver num mundo melhor, motivo por que opta por "utilizar a fotografia para transformar a realidade num universo próprio". Mas como é esse universo? "Recorro sempre ao meu imaginário, que encontra raízes na ficção científica do cinema americano dos anos 50", descreve.

"Procuro transformar situações quotidianas em cenas misteriosas, em imagens em que não percebes bem o que está a acontecer, quem são aqueles seres e o que vieram, exactamente, fazer." A fotografia que realiza é cem por cento espontânea, mas para Bloop decidiu piscar o olho a uma das fotografias do filme The Day the Earth Stood Still, de 1951. "O teremim da banda sonora acompanhou-me durante todo o desenvolvimento desta série e, de algum modo, fazia-me sonhar que, algum dia, um ser superior de outro planeta viria e faria um ultimato aos seres humanos para que mudassem e deixassem de destruir o seu próprio habitat."

©María Moldes
©María Moldes
©María Moldes
©María Moldes
©María Moldes
©María Moldes
©María Moldes
©María Moldes
©María Moldes
©María Moldes
©María Moldes
©María Moldes
©María Moldes
Sugerir correcção