Governo português quer tornar as Forças Armadas mais “verdes”

Chefes da Defesa da União Europeia estiveram reunidos em Helsínquia durante dois dias.

Ministro da Defesa, João Gomes Cravinho
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Ministro da Defesa, João Gomes Cravinho LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

O Governo português defendeu nesta quinta-feira a necessidade de tornar as Forças Armadas mais “verdes”, assegurando estar a tomar medidas para reduzir a pegada carbónica das tropas ao tentar tornar as unidades militares e os equipamentos “energeticamente sustentáveis”.

“Estamos a fazer um trabalho muito significativo no que diz respeito à redução desta pegada carbónica. No que diz respeito às Forças Armadas, estamos a desenvolver [...] um conjunto de projectos para que as Forças Armadas possam reduzir esta sua pegada ecológica e ser energeticamente sustentáveis, por exemplo ao nível das unidades militares”, afirmou em declarações à agência Lusa a secretária de Estado da Defesa Nacional, Ana Santos Pinto.

Falando no final da reunião dos chefes da Defesa da União Europeia (UE), que decorreu entre quarta-feira e hoje em Helsínquia, no âmbito da presidência comunitária finlandesa, a governante vincou que, por isso, estão em curso acções de investigação e de desenvolvimento para “tentar reduzir aquele que é o impacto ambiental dos equipamentos e das próprias funções que as Forças Armadas vão exercendo”.

Em causa estão, assim, práticas de utilização eficiente dos recursos e de inovação ambiental.

Esta reunião ministerial foi, segundo Ana Santos Pinto, “histórica”, já que, pela primeira vez, foi abordada a temática das alterações climáticas e a sua relação com a área da defesa.

“As alterações climáticas têm impacto multiplicador na conflitualidade e elas próprias têm um efeito transformativo nas Forças Armadas”, assinalou a governante, exemplificando que, na região africana do Sael, são “as alterações climáticas que produzem, de forma cíclica, maiores níveis de pobreza”, gerando ainda mais “conflitualidade interna na região, que agrava a instabilidade já existente”.

A responsável adiantou que, para poder fazer face a estes fenómenos, “o fundo europeu de defesa tem um papel muito importante porque poderá financiar projectos cooperativos entre vários Estados, por um lado, ao nível da investigação e desenvolvimento e depois ao nível dos protótipos que delas resultam, de forma a reduzir este impacto ambiental”.