Crítica

Pelos caminhos da floresta

Pela primeira vez nas salas portuguesas, um dos clássicos do cinema russo contemporâneo: brutal, alucinante, desencantado.

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Vem e Vê foi o último filme de Elem Klimov (1933-2003), que dizia já nada mais ter para filmar

Depois do programa de clássicos russos organizado pela Leopardo há um par de Verões, que nos permitiu conhecer alguns cineastas de uma geração moderna insuficientemente conhecida, chega às salas um outro clássico do cinema russo recente que até hoje só tinha chegado a Portugal em DVD. Vem e Vê foi o último filme de Elem Klimov (1933-2003), aluno de Mikhail Romm e marido de Larissa Shepitko, do qual só Adeus a Matiora (1983) teve estreia entre nós. É um dos mais brutais, alucinantes e desencantados filmes de guerra jamais realizados, inspirado directamente na resistência bielorrussa às tropas alemãs em 1943 e no massacre de 628 aldeias ao abrigo da política nazi do “espaço vital” com que Hitler queria colonizar o Leste.