O parque infantil e os exemplos de educação

Hoje, vejo as crianças que têm pais que não sabem que adultos criar para o amanhã. No meio destas crianças, sobressaem aquelas que olham, paradas, com um ar admirado para as atitudes que nunca pensaram poder ter e correm para os braços dos pais quando os chamam.

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Troy T/Unsplash

Por vezes gosto de levar as crianças ao parque infantil. Gosto de os ver deslizar pelos escorregas e saborear o vento na cara enquanto, freneticamente, se balouçam para a frente e para trás. Gosto de os ver criar aquelas amizades momentâneas que parecem ser de toda a sua curta vida e que vão durar para sempre. As nossas crianças têm o dom de nos fazer gostar de, apenas, as observar enquanto brincam, de nos deliciarmos com os seus movimentos enquanto sorriem de satisfação. Ficamos ali, sentados, a olhar para elas e por elas, só isso.

Mas as outras crianças, as que não são nossas, também nos chamam a atenção. Também as observamos a brincar e a relacionar com as nossas e com outras que por lá deambulam entre as brincadeiras e os outros pais e avós que, também, por lá estão. É nesses momentos que nos apercebemos que a sociedade é diversa, as formas de estar, interagir mudaram, as crianças estão diferentes, são diferentes daquilo que foram os que por ali as observam sentados entre conversas casuais e olhares atentos para os dispositivos que carregam incansavelmente consigo para todo o lado. Damo-nos conta que temos mais tempo para estarmos com as nossas crianças, mas não estamos. Damos-lhes os exemplos que defendemos que não devemos dar. Por ali, vemos de tudo.

As crianças são o espelho dos que os criam e de uma sociedade que evolui sem critérios nem filtros. São as crianças que dizem não. Não quero, não vou, agora não, ainda não, já vou, mas não vêm… e gritam com os pais e avós, mandam-nos, ordenam-lhes que esperem, porque agora querem estar ali. São os que amuam, porque a amizade momentânea já não lhes dá atenção ou se foi embora. Os que chutam a bola com toda a sua força contra a parede quando chega a hora de ir, os que levam a bola para, só eles, brincarem com ela. Aqueles que gritam com os pais porque o baloiço está ocupado e se recusam a esperar pela sua vez, os que se deitam ao chão e esperneiam, gritam e insultam quem os tenta fazer voltar a uma posição erecta, até desferindo um ou outro estalo a quem se encontra mais próximo. Falta-lhes a humildade de serem e saberem que são crianças, apenas isso.

Os pais, os avós e os outros que por ali se sentaram ou permaneceram de pé, vestidos com roupas a lembrar as domingueiras, vão aturando e deixando estar, desde que não caiam, magoando-se, gritando por eles. Vão continuando submissos, incapazes de se fazer valer do ser pai e avó, porque a nossa sociedade reprova um certo tipo de autoridade parental em público e muitas vezes até as nossas casas são públicas. Sempre debaixo do olhar reprovador da sociedade que os fez esquecer que para criar um ser humano tem que se lhe ensinar a humildade de aprender, tem que se educar. Nem que seja por eles e através dos seus exemplos de humildade e Educação.

Hoje, vejo as crianças que têm pais que não sabem que adultos criar para o amanhã. No meio destas crianças, sobressaem aquelas que olham, paradas, com um ar admirado para as atitudes que nunca pensaram poder ter e correm para os braços dos pais quando os chamam.