Salvini contra o “indecoroso espectáculo” das negociações entre 5 Estrelas e PD

O líder da Liga e ainda ministro do Interior reafirmou ao Presidente italiano que a única solução para a crise política são eleições antecipadas.

Matteo Salvini falando aos jornalistas depois da audiência com o Presidente italiano
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Matteo Salvini falando aos jornalistas depois da audiência com o Presidente italiano ALESSANDRO DI MEO/EPA

Matteo Salvini não está contente. O líder da Liga foi recebido em audiência esta quarta-feira pelo Presidente italiano, Sergio Mattarella, a quem reafirmou a sua vontade de que sejam convocadas eleições antecipadas para resolver a crise política que ele próprio criou, ao apresentar uma moção de desconfiança ao seu governo que levou à demissão do primeiro-ministro, Giuseppe Conte.

Para o ainda ministro do Interior, as negociações entre o Movimento 5 Estrelas (M5S) e o Partido Democrático (PD) para a formação de um novo governo, com Conte como primeiro-ministro, são um “espectáculo indecoroso”.

“Os italianos estão desconcertados pelo indecoroso espectáculo e teatro, esse da guerra das poltronas, a que assistimos nos últimos dias – 60 milhões de italianos são reféns de 100 parlamentares que têm medo de perder a sua poltrona”, disse o líder da extrema-direita.

Para Salvini é muito simples, o M5S e o PD podem ter maioria no Parlamento, mas estão em minoria no país. Até porque, não deixou de comentar, “o PD perdeu todas as eleições que podia ter perdido nos últimos anos”, logo não teria legitimidade política para entrar no executivo.

Com esta coligação entre o 5 Estrelas (que até agora partilhava governo com a Liga) e o PD, acha o ministro, Mattarella não respeita o pedido que ele próprio fez aos partidos, o de garantirem um governo sólido e coeso para os próximos quatro anos, tempo que falta para terminar os cinco anos de legislatura saídos das eleições de Março de 2018.

Salvini aproveitou para acusar a União Europeia e outros Estados-membros de interferência na política italiana, ao recomendarem a manutenção de Conte como primeiro-ministro. “Ao presidente do Conselho [primeiro-ministro] encontraram-no em Biarritz [onde assistiu à cimeira do G7] e foi indicado por Paris, Berlim e Bruxelas. Em suma, uma repetição do governo Monti”, disse o líder da Liga. Mario Monti foi escolhido pelo então Presidente Giorgio para ocupar o lugar deixado vago por Silvio Berlusconi, liderando um governo destinado a implementar reformas políticas e aplicar medidas de austeridade.

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