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Em cada cão há uma lição

Existe uma linha muito fina que separa o “viver com um cão” e o “um cão na vida”. Para aqueles que deixam o cão entrar na sua vida, existe o eterno agradecimento de um ser que vos ama primeiro que a ele próprio. Hoje, 26 de Agosto, celebra-se o Dia do Cão, mas para mim todos os dias são deles.

Cada cão é um ser único, singular e dono da sua própria personalidade. O leque daquilo que podem ser, e podemos ser juntos, é tão infinito que até se torna ridículo acreditar que são “isto” ou “aquilo” por conta das suas características e pré-disposições genéticas. Dito isto, sim, os cães também sofrem preconceito.

Hoje, 26 de Agosto, é o dia deles, um dia muito especial, onde falamos em celebração! Felizmente para mim, todos os dias é dia do cão, ou melhor, dos cães! Isto porque cá em casa são três cães, as minhas “batatas-doces”, a Ahri, a Nymeria e a Freya. Tenho a sorte de todos os dias conjugar o verbo amar com as minhas “filhas” - sim sou aquele piroso que as chama “filhas”. Juntos somos os @3.of.hearts no Instagram, onde diariamente partilhamos um pouco da nossa conjugação do verbo amar.

Existe uma linha muito fina que separa o “viver com um cão” e o “um cão na vida”. Para aqueles que deixam o cão entrar na sua vida, existe o eterno agradecimento de um ser que vos ama primeiro que a ele próprio. Uma coisa é certa: A Panaceia, cura para todos os males, desta vida é sem dúvida um “cãomprimido”.

Ter um cão na vida é uma experiência tão enriquecedora e diferente de cão para cão, que sem dúvida todas as lições e momentos felizes que vivemos são motivo de celebração. É incrível como cada um tem o seu jeito, feitio e lições. A Ahri foi a primeira e é, por consequência, a mais ligada a mim. Aquela que faz um escândalo quando me ausento.

PÚBLICO - Ahri
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PÚBLICO - Nymeria
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PÚBLICO - Freya
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Acreditem, não me orgulho muito desta parte: foi a segunda lição que tive, que devemos aprender a dar espaço ao nosso cão. Por tendência, acabamos muitas vezes por sufocar o nosso “primeiro filho”, o que gera alguma ansiedade de separação, em ambos! A primeira lição chegou logo no primeiro dia: aquela chapada de realidade que recebemos ao chegar a casa. Depois da emoção da chegada do novo membro, vem o peso da responsabilidade, a pressão do querer ser melhor e o “será que sou capaz?!”. À parte disto, a Ahri é aquela cadela cheia de energia que me obrigou a sair de casa mais vezes, a ser mais sociável e a estar junto de pessoas.

Depois de sensivelmente um ano chegou a Nymeria, Miresca para os amigos. Um segundo cão sempre foi algo muito desejado e ponderado. Vivia aterrorizado com a ideia de que um segundo cão pudesse afectar a minha relação com a Ahri. E se ela tivesse ciúmes? E se eu não viesse a gostar das duas da mesma forma? Vivia com medo que, de alguma forma, alguma delas se sentisse em segundo plano. Depressa aprendi que estava errado, é possível amar ambas com a mesma intensidade, contudo por motivos diferentes. 

Aprendi também sobre a singularidade evidente entre cada ser, pois embora ambas sejam jack russel, são como a água e o vinho. Com a Nymeria aprendi que os cães também têm o seu ritmo, espaço e própria “velocidade” para deixar que o “humano” entre nas suas vidas.

Por último, certamente não por fim, chegou a Freya. E chegou uma grande lição. É uma cadela cega e surda e viver com ela está a ser uma aventura muito diferente, a aventura dos sentidos! Aprendi a colocar de lado as coisas mais evidentes, a ver além daquilo que conseguimos. Com a Freya aprendi a aceitar o invisível, aquilo que não vemos mas que está lá: o sentir.

Cada uma é uma caixinha recheada de surpresas e lições. A verdade é que aprendo diariamente com elas algo novo. Mais do que algo novo, aprendo algo diferente com cada uma delas. O que me faz pensar: o que será que aprenderei com um quarto cão? Cães, aquele plural que me deixa feliz! Hoje é o dia deles, o que me deixa ainda mais feliz. Mas volto a dizer: Dia do Cão tem de ser todos os dias. Por isso, desafio todos os leitores a que deixem um cão entrar nas vossas vidas e que celebram a singularidade de cada uma dessas criaturas mágicas capazes de amar antes de serem amadas.