Fogos na Amazónia seguem trilho das estradas, diz cientista da NASA

Dados de satélites de observação da Terra da agência espacial norte-americana revelam que este é o ano com mais incêndios na Amazónia desde 2010.

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Zona destruída pelo fogo em Boca do Acre, no estado do Amazonas Bruno Kelly/REUTERS

Há mão humana na origem dos incêndios florestais na Amazónia? Não há dúvida nenhuma disso, dizem cientistas da agência espacial norte-americana que estudam o fogo com satélites, a partir do espaço, embora estejamos na estação seca, e tanto o fogo como as queimadas como técnica de limpeza de terrenos sejam habituais nesta época.

“Quando se olha a partir do espaço, vemos que são as actividades económicas, e não a seca, o motor dos incêndios”, afirmou Doug Morton, cientista do Centro Espacial Goddard da NASA, citado pela revista Wired. “Acontecem ao longo de corredores de transporte e nas áreas limítrofes dos estados do Amazonas e Mato Grosso, zonas de exploração recente e expansão da agricultura. Isto é um sinal económico, não climático”, explicou o investigador norte-americano.

Os fogos florestais na Amazónia começam com muita frequência de propósito, para limpar terras. Depois de os madeireiros cortarem árvores, especuladores queimam a vegetação restante, como forma de limparem o terreno facilmente, porque esperam vender as terras a agricultores e produtores de gado. E o discurso pró-desenvolvimentista da Amazónia do Presidente Jair Bolsonaro, cujo Governo reduziu drasticamente as actividades de fiscalização na floresta – cortando meios económicos e pessoal às entidades fiscalizadoras – propiciaram esta situação.

Os dados de satélite da NASA revelam que este é o ano com mais incêndios na Amazónia desde 2010, diz um comunicado do NASA Earth Observatory, que colige informação dos vários satélites de observação da Terra da agência espacial norte-americana. São também mais intensos, pois irradiam mais calor que em anos anteriores. 

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais brasileiro colige e tem online informação sobre o avanço das queimadas que mostra como as deste ano superam as de anos mais recentes.