Crítica

Diário cansado de um sedutor

Benoît Jacquot vira-se para Casanova, filmando o seu “último amor” tal como o próprio o contou na História da Minha Vida em que o argumento se baseia.

Artificialismo sem chama (passional) nem vertigem (do jogo ou da manipulação mútua)
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Artificialismo sem chama (passional) nem vertigem (do jogo ou da manipulação mútua)

Na obra de Benoît Jacquot abundam, sobretudo nestes últimos anos, as aproximações ao universo literário e, em especial, a figuras de reputação “sulfurosa” extraídas ao imaginário cultural europeu. E assim, quase vinte anos depois do seu Sade (em 2000), Jacquot vira-se para Casanova, filmando o seu “último amor” tal como o próprio o contou na História da Minha Vida em que o argumento se baseia. Compreende-se facilmente — tal a forma como o filme se instala aí — que Jacquot queira trabalhar dentro das coordenadas do filme histórico ou do filme de época, e sobretudo dentro dos seus códigos de representação, por sua vez rimados pela intriga: estamos no domínio do “teatro social”, dos jogos de aparências e estatutos, das convenções acima de tudo, acima, inclusive, das paixões românticas e carnais (e acima do dinheiro, tema que aparece marginalmente mas com relevância).