Opinião

Cartas ao director

Salvar o emprego

Apesar da multiplicidade de cursos superiores e profissionais, os dados do Boletim Estatístico do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia mostram que 800 mil trabalhadores recebem mensalmente menos de 600 euros! É triste ver os jovens formados com empregos precários e aquém das suas habilitações, quando os pais pagaram forte e feio para a sua formação universitária. Com milhares de assalariados que trabalham sem fazer descontos para a Segurança Social, com o aumento do número de pensionistas e o crescimento do nível de esperança de vida, nem 100 laureados com o Nobel da Economia conseguiam equilibrar a nossa Segurança Social. É urgente criar emprego dentro da lei que promova a segurança dos trabalhadores e contribua para a sustentabilidade do organismo que nos vai pagar as reformas.

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

Não basta anunciar

De vez em quando, surgem notícias da contratação de mais profissionais para os hospitais. A última refere que mais 1442 vão reforçar hospitais do Serviço Nacional de Saúde (152 enfermeiros, 162 assistentes técnicos, 710 assistentes operacionais).

Não duvidando da veracidade do anunciado pelo Governo PS, a verdade é que com muita frequência também se noticia a falta de profissionais nas diversas unidades do SNS. Por tal, e para que não se esteja perante uma medida de propaganda ou eleitoralista, justificar-se-á uma prestação de contas. Ou seja, daqui a alguns meses (seis, por exemplo), o Governo deveria informar que o anúncio efectuado da contratação de profissionais foi concretizado, indicando o número e quais as unidades hospitalares onde os mesmos profissionais foram colocados. E, para melhor conhecimento da situação, também deveria informar o número de profissionais que, no mesmo espaço de tempo, saíram das unidades hospitalares.

Ernesto Silva, Vila Nova de Gaia

Manipulação monetária

Um conjunto de sectores industriais da Flórida, EUA, intentou uma acção junto da Organização Mundial do Comércio contra vários países que desvalorizam intencionalmente a sua moeda, de forma a tornarem as suas exportações competitivas. Esta acção socorre-se do regulamento para o comércio internacional, que permite a imposição de barreiras alfandegárias a países que não respeitem as regras da concorrência.

Em Portugal, a indústria têxtil e do calçado tem vindo a sofrer com a desvalorização artificial das moedas de países como a Turquia ou Marrocos, o que se reflecte no abrandamento ou estagnação das nossas exportações destes produtos. Ao abrigo do quadro comunitário, os nossos representantes em Bruxelas deveriam procurar impor sanções aos produtos fabricados nessas paragens, à semelhança daquilo que há uns anos atrás fizeram os deputados europeus alemães em relação aos painéis solares chineses.

João António do Poço Ramos, Póvoa de Varzim