Mais árvores e menos estacionamento. O largo da Sé Velha de Coimbra vai a obras

Oposição preocupada com duração da empreitada. Presidente da autarquia fala da possibilidade de surgirem “surpresas” arqueológicas

Largos da Sé Velha e do Quebra-Costas vão estar em obras durante nove meses
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Largos da Sé Velha e do Quebra-Costas vão estar em obras durante nove meses Diogo Baptista

Uma das vias mais percorridas a pé de Coimbra vai entrar em obras. A Câmara Municipal de Coimbra (CMC) aprovou o lançamento de um concurso para a requalificação de vários espaços do centro histórico da cidade, entre eles o largo da Sé Velha, as escadas e o largo do Quebra-Costas, que servem de via de ligação pedonal entre a Baixa e a Alta. A empreitada de 1,2 milhões de euros inclui também as escadas e o beco da Carqueja, numa intervenção que está integrada no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano da Autarquia. Os trabalhos deverão demorar nove meses a ser concluídos e pretendem “dar mais protagonismo ao peão”, refere a autarquia na informação enviada aos jornalistas. A proposta de lançamento de concurso aprovada por unanimidade em reunião de executivo municipal, nesta segunda-feira.

O presidente da CMC, Manuel Machado, diz que haverá uma “redução significativa” do estacionamento no largo da Sé Velha, mas não especificou quanto. Actualmente, e apesar da instalação de pilaretes em volta da igreja românica classificada como monumento nacional, continuam a verificar-se situações de estacionamento abusivo. No entanto, Machado dá como exemplo o largo de São Salvador, recentemente requalificado, onde a sinalização “não está a ser cumprida”. A Polícia Municipal será chamada a intensificar a fiscalização na zona, referiu o autarca, apesar de reconhecer que os lugares para estacionar escasseiam. O mesmo deverá acontecer como o largo da Sé Velha, quando a empreitada estiver concluída.

Para além da redução do estacionamento, as alterações ao largo passam também pela plantação de árvores e trabalhos de repavimentação. A topografia da maior parte do espaço será mantida, acrescenta a autarquia. Relativamente à intervenção na rua e largo do Quebra Costas, os trabalhos centram-se na repavimentação com “materiais de maior resistência e atrito”, naquela que é uma das vias mais utilizadas para fazer o percurso entre o Arco de Almedina, na Baixa, e a Alta Universitária. Este é mais um lote de vias que a CMC tem vindo a requalificar na Alta da cidade, como as ruas da Ilha, Guilherme Moreira, José Falcão, Travessa da Trindade e Beco da Pedreira, bem como o Largo Hilário e o Largo de S. Salvador.

Duração das obras preocupa

Em resposta a questões levantadas pela oposição, o presidente da CMC, Manuel Machado, falou na possibilidade de a empreitada esbarrar em “surpresas” arqueológicas. Apesar de garantir o acompanhamento de “equipas especializadas”, o autarca refere que “é provável que isso venha a acontecer”, uma vez que intervenção tem como alvo uma zona histórica. “Várias vezes esteve para ser lançada uma intervenção global nesta zona da cidade”, explicou. Mas esta intenção nunca foi levada a cabo dada a “avaliação de risco”.

Uma das questões que preocupa a oposição é a duração da intervenção numa zona tão movimentada. A vereadora Ana Bastos, do movimento Somos Coimbra, receia as “perturbações muito graves na área do turismo” que um prazo de execução de 270 dias possa causar, mas aponta igualmente para a necessidade de salvaguardar a “circulação de pessoas idosas que residem na zona”. A realização das serenatas das festas académicas de Coimbra, que costumam ter lugar no largo da Sé Velha, também preocupa Ana Bastos, que sugeriu que a duração dos trabalhos fosse reduzida, mesmo que, para isso, o preço-base do concurso tivesse que ser aumentado. A vereadora do PSD, Ana Paula Quelhas, questionou Manuel Machado se a circulação de residentes estava acautelada. 

O presidente da CMC garantiu que, tratando-se de “espaços especialmente sensíveis”, a autarquia dialogou com os moradores para preparar a intervenção. Sobre a serenata da Queima das Fitas, Machado diz que poderá continuar no mesmo lugar durante as obras, “desde que haja condições de segurança”.

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