Encontrados pescadores de atuneiro da Madeira desaparecido desde quarta-feira

A embarcação, um atuneiro chamado Setemar, tinha sete pessoas a bordo. As buscas começaram na noite de sexta-feira.

Aeronave C-295 Força Aérea deteta balsa com setes pescadores from Público on Vimeo.

Vídeo: Força Aérea

Um grande susto para os tripulantes do atuneiro Setemar, seus familiares e amigosEquipas de duas embarcações da Marinha Portuguesa e um avião da Força Aérea empenharam-se este sábado na operação de buscas da embarcação que não dava sinal de vida desde quarta-feira. Encontraram uma balsa com os sete homens a bordo, a dez milhas a sul da ilha da Madeira.

O atuneiro saiu do porto do Caniçal, no concelho de Machico, na terça-feira. Disse à Lusa o comandante da Zona Marítima da Madeira, Guerreiro Cardoso, que não estabelecia comunicação com o armador havia três dias. Desde quarta-feira de manhã que a “caixa azul”, um sistema de controlo da navegação via satélite, não emitia sinal.

Primeiro, não houve alarme. Afinal, às vezes as embarcações ficam sem comunicação, como explicou aquele comandante ao DN-Madeira.  Só que o dia fez-se noite e a noite fez-se dia sem que houvesse qualquer comunicação – nem com o armador, nem com familiares ou amigos. E a angústia começou a apoderar-se de quem esperava notícia daqueles sete homens. Sexta-feira, começou a operação coordenada pelo Centro de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa, em articulação com o Subcentro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo do Funchal.

Primeiro, apenas com recurso ao navio patrulha Tejo e à lancha Hidra. Depois, com o avião C-295 do Aeródromo do Porto Santo. O avião permitiu alargar o perímetro das buscas. Conforme referiu Guerreiro Cardoso à Agência Lusa, a operação passou a abranger uma área que incluía “a última localização conhecida da embarcação, a sudoeste do Cabo Girão, perto da Ponta do Pargo”, na parte oeste da ilha da Madeira.

Ao princípio da tarde deste sábado, ainda não havia qualquer pista sobre o paradeiro da embarcação e dos seus sete tripulantes. Por volta das 16h20, o DN-Madeira noticiou que o avião C-295 “detectou uma jangada no meio do oceano, aparentemente com pessoas no seu interior”. Para o local avançou uma equipa numa lancha rápida. Vinte minutos depois, a RTP-M anunciou que os pescadores tinham sido encontrados a dez milhas do sul da Calheta.

AO PÚBLICO, o porta-voz da Marinha, o comandante Fernando Pereira da Fonseca, esclareceu ter sido encontrada uma balsa com sete pessoas a bordo. Não havia embarcações por perto. Afirmava que eram os sete pescadores. Só não podia dizer qual era o seu estado de saúde. A equipa que se deslocava para o local deveria resgatá-los, conduzindo-os ao Funchal. Pelas 17h40, o Jornal da Madeira noticiava que no Caniçal familiares e amigos dos pescadores já abriam garrafas de espumante na rua. Por volta das 19h, a Marinha emitiu um comunicado a informar que os pescadores se encontravam bem. Deveriam chegar ao Funchal às 20h. 

Os tunídeos são um importante recurso piscatório na ilha. Do porto do Caniçal, entre Abril e Outubro, para o mar avança uma frota artesanal que utiliza a arte de salto e vara com isco vivo para apanhar cerca de uma dezena de espécies (as mais dominantes são o patudo e o gaiado, que iniciam o seu percurso migratório na área de desova do Golfo da Guiné e passam pelo arquipélago da Madeira).