Crónica de jogo

Relâmpago Zé Luís iluminou a noite do FC Porto

“Dragões” derrotaram o V. Setúbal e o avançado cabo-verdiano foi a figura de maior destaque, com três golos.

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LUSA/JOSE COELHO

Inclemente, o FC Porto descarregou, no regresso a casa para o campeonato, toda a sua ira num V. Setúbal (4-0) que se revelou demasiado frágil para causar mais danos aos “dragões”. A uma semana do duelo com os campeões nacionais e actuais líderes da Liga, Sérgio Conceição não tinha alternativa. Era preciso uma resposta contundente, com os jogadores a darem a cara e a alma no inadiável reencontro com o futuro.

Depois de um arranque de época verdadeiramente amargo, os “dragões” dispensaram o menu de degustação, tornando óbvio que não havia tempo para cerimónias. Apenas uma mensagem urgente para descodificar. A operação-relâmpago, mesmo sem elemento surpresa, aturdia um V. Setúbal sem tempo nem espaço para se organizar, preocupando-se apenas em suster o instinto e ferocidade portistas. Com Corona a lateral direito e Renzo Saravia na bancada, Sérgio Conceição concedia a titularidade a Matheus Uribe e ao jovem Romário Baró. Na linha da frente, Zé Luís formava com Marega uma dupla de peso, preparada para funcionar como um autêntico ariete. 

A atmosfera do Dragão tornava-se demasiado densa antes de ficar mesmo irrespirável para os sadinos, que, antes de cederem o primeiro golo, sentiram toda a fúria de uma equipa de orgulho ferido. 

Makaridze fez o que pôde, travando por instinto o primeiro golpe do avançado contratado ao Spartak, postura que manteve até final, sem responsabilidades no que se seguiu. O poste mostrou-se solidário e adiou o inevitável, num livre directo de Alex Telles, com recarga desastrada de Marcano. Em oito minutos, os “azuis e brancos” criavam lances de perigo em catadupa. 

O FC Porto caía positivamente em cima do V. Setúbal e aos 11 minutos conseguia o objectivo. Zé Luís beneficiava de uma sucessão de erros na transição defensiva setubalense, recuperando a bola junto da baliza adversária para desferir um remate imparável. A vantagem não era, contudo, suficiente para aplacar a fúria e o “dragão” não aliviava o garrote. Marega mostrava estômago para continuar o massacre, mas a cabeça não atinava com a baliza. Depois de 15 minutos sem tréguas, a descompressão poderia trair os intentos portistas e uma tremenda gaffe de Danilo oferecia o empate a Hachadi, mas, deslumbrado, o marroquino viu a grande oportunidade vitoriana esfumar-se na envergadura de Marchesín, mais uma vez a justificar a contratação. 

Tanto que logo Zé Luís tratou de dissipar as nuvens do horizonte portista, bisando de cabeça, num mergulho com nota artística. O lance teve que passar no crivo do VAR, que autorizou a bola ao centro e o 2-0 ao intervalo. Antes, porém, Danilo tentara redimir-se num remate fulminante, imitando a meia-distância de Romário Baró, que Makaridze resolveu. 

A segunda parte foi uma réplica da primeira, com Zé Luís a consumar o hat-trick (novamente de cabeça) e Luis Díaz a fechar as contas no minuto imediato, após passe de Marega. O V. Setúbal pouco podia fazer, até porque Marchesín não o permitiu.