Blue World: álbum perdido de John Coltrane vê a luz em Setembro

O disco inclui temas gravados em 1964 pelo quarteto clássico de Coltrane para uma banda sonora, que só aproveitou dez minutos de gravações.

O saxofonista norte-americano John Coltrane
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O saxofonista norte-americano John Coltrane CHUCK STEWART PHOTOGRAPHY

Mais de 50 anos passaram desde a morte de John Coltrane. Agora, um “novo álbum” do incontornável nome do jazz norte-americano será lançado pela editora Impulse!. Chama-se Blue World, inclui essencialmente versões alternativas de músicas que John Coltrane compôs anteriormente — incluindo temas como NaimaVillage bluesTraneing in e Like sonny — e será lançado a 27 de Setembro.

A compilação, cuja existência se desconhecia, foi gravada em Junho de 1964 pelo quarteto clássico de John Coltrane — com McCoy Tyner no piano, Elvin Jones na bateria e Jimmy Garrison no baixo —, entre as gravações dos álbuns Crescent e A Love Supreme, no estúdio de Rudy Van Gelder, em Nova Jérsia.

Os temas de Blue World (que faziam parte de uma sessão de gravações com 37 minutos) terão sido, na verdade, gravados pelo saxofonista e compositor para a banda sonora do filme canadiano Le Chat dans le Sac, a convite do realizador Gilles Groulx. Porém, segundo a National Public Radio, apenas foram aproveitados dez minutos de gravações para o filme.

Blue World revela o progresso pessoal de Coltrane, bem como a consistência interactiva e os detalhes sonoros que o quarteto clássico estabeleceu firmemente como a sua assinatura colectiva em 1964. Essa assinatura era tão segura e dramática, tão vigorosa e diferente do som que Coltrane tinha criado antes. E é significativo que esta sessão de gravações — qualquer que tenha sido a principal força motriz — tenha acontecido entre [a criação de] dois dos álbuns mais expansivos e espiritualmente transcendentes de Coltrane, que iriam definir o tom do resto da sua carreira musical”, sublinhou a Impulse! em comunicado enviado à revista online The Root.

O primeiro single de Blue World já disponível tem o mesmo nome do álbum e é uma segunda versão alternativa do tema Out of this world (originalmente composta por Harold Arlen e Johnny Mercer), escreve o diário New York Times. Uma outra versão de Out of This World tinha sido já incluída no álbum Coltrane, de 1962.

No ano passado, a Impulse! lançou um outro álbum perdido de John ColtraneBoth Directions At Once, que resulta de uma sessão de gravação em 1963 durante a qual Coltrane capitaneou o seu quarteto clássico. Foi, aliás, com Both Directions At Once que Coltrane se estreou, post mortem, na tabela Billboard 200, em 21.º lugar — ultrapassando as 250 mil cópias vendidas.

Um legado de John Coltrane que vê agora a luz do dia. Dizia o saxofonista, na década de 1960 (citado pela National Public Radio), “nunca há nenhum fim”: “Há sempre novos sons para imaginar, novos sentimentos para alcançar.”