Crónica

Escrever custa

Escrever foi – e é – a maior desilusão da minha vida. Quando percebi que, para escrever “Havia um macaco”, era preciso escrever “H” e depois “a” e depois “v” e depois “i” e “a” – e ainda só se tinha conseguido escrever “havia” –?, compreendi a lentidão esmagadora da escrita.

Comecei a escrever porque o meu irmão adormecia a ouvir as histórias que eu inventava à noite para ele (e eu) ouvir. Só que ele adormecia e eu ainda não tinha acabado, nunca quis acabar, podia ficar a falar sozinho, é verdade, mas era triste.