Opinião

Cartas ao director

O PCP e os camionistas

O PCP manifestou-se contra a imposição pelo Governo de serviços mínimos aos camionistas de transporte de combustíveis, por achá-los exagerados e limitarem o direito à greve. Agora também está contra a requisição civil que o Governo determinou onde não foram cumpridos os serviços mínimos, também por limitarem o direito à greve.

O PCP esquece-se que, se tivesse vingado a sua teoria da unicidade sindical, estes sindicatos não teriam nunca visto a luz do dia. Esquece-se que a possibilidade de decretar serviços mínimos e requisições civis foi estabelecida por um decreto-lei de um governo do “companheiro Vasco”, documento esse a que não consta que o PCP se opusesse. Esquece-se também que os trabalhadores não têm sempre razão e que nesta greve os sindicatos que declararam a greve usaram de má-fé (como o PCP muito timidamente insinua). Esquece-se que o direito dos trabalhadores não se resume a um direito indiscriminado à greve, até porque os prejudicados pela greve também são trabalhadores. Esquece-se também que uma greve por tempo indeterminado é socialmente condenável em qualquer sector, mas talvez nenhuma seja tão gravosa como a do transporte de combustíveis. Acha o PCP que a liberdade de greve de alguns camionistas se sobrepõe à liberdade social dos portugueses?

Carlos Anjos, Lisboa

O voo do Pardal

A famigerada greve dos camionistas caminha a passos largos para o desastre, contribuindo por outro lado para uma vitória retumbante de António Costa, que arrecadou uma mão cheia de camiões de votos dos portugueses, sempre nostálgicos da autoridade quando necessária. O tal Pardal começou a perder o pio, perde igualmente as asas e, num voo picado, escorrega para o declínio, queda vertiginosa sem paraquedas para o desaparecimento definitivo, um espectáculo que já durou demasiado, um péssimo argumento de vaidade pessoal, protagonismo e falta de respeito para com os cidadãos apanhados numas férias concebidas e aguardadas há muito. António Costa emerge como “salvador” duma crise nascida já moribunda, deu a cara, falou alto e bom som, pondo o BE e PCP a titubear incoerências com a sua irrelevância. Com o PSD morto e o CDS a rosnar qualquer coisa sobre a lei da greve, o primeiro-ministro foi um vencedor sem adversários à altura. Quanto a Marcelo, ficamos descansados que já tenha o depósito cheio para ir para o Algarve e nos livre dos seus comentários e selfies para todos nós descansarmos igualmente um bocado.

José Alberto Mesquita, Lisboa

PÚBLICO Errou

Ao contrário do referido na edição de ontem, o nome do coronel e antigo juiz militar citado na notícia “Militares devem substituir camionistas? Juristas e militares dividem-se” é Gil Prata e não Gil Duarte. Ao visado e aos leitores, as nossas desculpas.