A pedido de Trump, Israel proíbe entrada de duas congressistas dos EUA

Ilhan Omar e Rashida Tlaib, ambas muçulmanas e críticas do Governo israelita, tinham planeado uma visita à Cisjordânia. Netanyahu diz que as congressistas tinham a intenção de “prejudicar Israel”.

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Omar (esquerda) e Tlaib são críticas das políticas governamentais israelitas JIM LO SCALZO / EPA

O Governo israelita anunciou que vai proibir a entrada de duas congressistas norte-americanas, que tinham planeado visitar a Cisjordânia, horas depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter pressionado Telavive nesse sentido.

As congressistas democratas, Ilhan Omar e Rashida Tlaib, tinham programado uma visita à Cisjordânia e a Jerusalém Oriental para se encontrarem com a comunidade palestiniana, mas o Governo israelita veio dizer que a entrada de ambas no país não será autorizada. A revelação foi confirmada pela vice-ministra dos Negócios Estrangeiros, Tzipi Hotovely, em declarações a uma rádio israelita.

"Nenhum país no mundo respeita os EUA e o Congresso americano mais do que Israel. No entanto, o itinerário mostra que a única intenção das congressistas era prejudicar Israel”, afirmou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta umas eleições antecipadas a 17 de Setembro, porque não conseguiu formar governo apesar de ter ganho as eleições de Abril.

Horas antes, Trump tinha dito que seria um sinal de “grande fraqueza” se Israel permitisse a entrada das duas congressistas, uma intervenção sem precedentes de um Presidente norte-americano sobre o direito de parlamentares em circular livremente e também sobre a política migratória de outro país.

Omar, sobretudo , tem-se distinguido por declarações críticas a Israel, e pelas posições tradicionais de apoio automático a Israel do Partido Democrata. E Tlaib, que é de origem palestiniana, tem-se mostrado uma crítica feroz de Trump.

No mês passado, o embaixador norte-americano em Israel, Ron Dermer, tinha dito que Omar e Tlaib poderiam entrar no país como demonstração de respeito pelo seu estatuto como congressistas, recorda a Reuters. Tornaram-se nas primeiras congressistas muçulmanas eleitas e são apoiantes do movimento de boicote a produtos israelitas promovido por grupos pró-palestinianos. Ambas fazem parte de um grupo de quatro parlamentares democratas não-brancas que foram alvo de vários ataques de Trump recentemente.

A viagem, que deveria decorrer durante o fim-de-semana, incluía uma visita das congressistas à mesquita Al-Aqsa, que se encontra num local especialmente contencioso, dado que é lá que se situam dois templos de grande importância para o Judaísmo. O direito dos muçulmanos a rezar no local já deu origem a violentos protestos.

A política palestiniano Hanan Ashrawi disse que a decisão de impedir a entrada das congressistas é “um acto revoltante de hostilidade contra o povo americano e os seus representantes”. “É um precedente perigoso que desafia todas as normas democráticas e é um ataque ao direito do povo palestiniano em interagir com o resto do mundo”, afirmou Ashrawi, citada pelo Guardian.