Istambul voltou a consagrar o Liverpool

Tal como em 2013, o Chelsea esteve perto de conquistar a Supertaça europeia, mas deixou-a fugir no desempate por grandes penalidaes.

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LUSA/TOLGA BOZOGLU

Catorze anos depois de vencer em Istambul pela quinta vez a Liga dos Campeões, num jogo frente ao AC Milan que ficou na história como uma das finais europeias mais espectaculares, o regresso à mais cosmopolita cidade turca para disputar a partida decisiva de uma grande prova da UEFA não teve tanto brilho, mas voltou a consagrar o Liverpool. Após 120 minutos empatados (2-2), “reds” e Chelsea decidiram o vencedor da Supertaça europeia no desempate por penáltis e a história repetiu-se para os “blues”: tal como em 2013, quando o Chelsea de José Mourinho perdeu contra o Bayern, os londrinos falharam a quinta grande penalidade e perderam o troféu.

Após um arranque de Premier League convincente — triunfo sobre o Norwich, por 4-1 —, Jürgen Klopp surpreendeu no jogo 800 da sua carreira de treinador. Apesar da boa exibição cinco dias antes, o técnico alemão mudou quase metade da equipa: Alisson, Alexander-Arnold, Wijnaldum, Firmino e Origi ficaram de fora. Se a ausência do guarda-redes era inevitável — Alisson lesionou-se —, a decisão de deixar de fora o outro brasileiro não era expectável. Sem Firmino no ataque, o Liverpool apostava num trio móvel — Oxlade-Chamberlain, Mané e Salah —, e os primeiros minutos davam razão à estratégia dos “reds”.

Com mais bola na parte inicial, o Liverpool mostrava-se mais tranquilo e, aos 16’, Kepa começou a assumir-se como um dos protagonistas em Istambul: Salah encontrou espaço nas costas de Emerson e ficou isolado, mas não conseguiu ultrapassar o guarda-redes basco do Chelsea. 

Os londrinos pareciam dominados e ainda afectados pela goleada (4-0) sofrida no domingo contra o Manchester United , mas o rumo da partida começou a mudar seis minutos depois. Aos 22’, na primeira vez que conseguiu libertar-se da pressão do Liverpool, o Chelsea esteve quase a marcar, mas o remate de Pedro Rodríguez foi devolvido pela barra da baliza de Adrián.

A partir daí, no que restava da primeira parte, quase só deu Chelsea. Combalido pelo desaire em Old Trafford na estreia oficial como técnico dos “blues”, Frank Lampard lançou na Turquia de início um trio de luxo que tinha ficado no banco em Manchester — Kanté, Giroud e Pusilic — e as alterações trouxeram mais qualidade. Com o médio francês a garantir fiabilidade ao meio-campo, Giroud e Pulisic entendiam-se bem no ataque com Pedro e Kovacic, e o croata, assistido pelo espanhol, esteve quase a marcar aos 32’, mas Adrián evitou o golo com uma saída corajosa. 

Porém, quatro minutos depois, o Chelsea marcou, com o trio de apostas de Lampard a fazer a diferença: Kanté roubou a bola e iniciou a jogada, Pulisic assistiu e Giroud marcou pela 19.ª vez com a camisola do Chelsea, a 12.ª em provas europeias.

Antes do intervalo, a bola voltou a entrar na baliza de Adrián, mas o golo de Pulisic foi anulado pelo trio de arbitragem chefiado pela francesa Stéphanie Frappart, a primeira mulher a apitar uma final europeia de uma competição masculina organizada pela UEFA.

Com a sua equipa encostada às cordas, Klopp recuperou a habitual fórmula de sucesso do Liverpool: ataque com Mané na esquerda, Salah na direita e Firmino no centro. Os resultados demoraram 120 segundos a aparecer: Firmino assistiu com classe Mané e o senegalês fez o empate. Os “reds” voltavam a dominar os “blues” e aos 75’, na melhor ocasião da segunda parte, estiveram muito perto do segundo, mas Kepa e a barra mantiveram tudo na mesma.

Pela quinta vez nas últimas sete Supertaças europeias, os 90 minutos não foram suficientes para definir o vencedor e, tal como em 2013, 2015, 2016 e 2018, houve golos no prolongamento. Marcou primeiro o Liverpool, novamente com Firmino e Mané a revelarem um excelente entendimento: o brasileiro assistiu e a qualidade do senegalês fez o resto. A vantagem foi, no entanto, de curta duração. Três minutos depois, Abraham caiu na área e Stéphanie Frappart considerou que o avançado foi tocado por Adrián. Jorginho assumiu a responsabilidade e restabeleceu o empate, que se manteve até ao final dos 120 minutos.

Tal como em 2013, contra o Bayern, o Chelsea empatava a dois na Supertaça europeia e o vencedor foi decidido pelo desempate por penáltis, com a história a repetir-se. Em 2013, com Lampard no “onze” e Mourinho no banco, Lukaku falhou a quinta grande penalidade e entregou o troféu aos alemães. Desta vez, o réu foi outro ponta-de-lança: Tammy Abraham permitiu a defesa a Adrián e a festa em Istambul voltou a ser do Liverpool.