Índia promete começar a aliviar o blackout em Caxemira

Restrições ao ajuntamento de pessoas aliviado para a festa do fim do Ramadão. Há relatos de protestos e confrontos na região.

Uma mulher de Caxemira protesta contra a decisão do Governo indiano
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Uma mulher de Caxemira protesta contra a decisão do Governo indiano Danish Siddiqui/Reuters

Muitas zonas de Caxemira continuam isoladas do resto do mundo ao fim de oito dias de blackout de comunicações, embora a Índia garanta que em breve começará a aliviar as restrições de forma gradual.

Imagens da televisão mostravam barricadas de arame farpado nas ruas de Srinafar – a capital de Verão da Caxemira administrada pela Índia –, onde forças de segurança armadas guardavam as ruas. Algumas das restrições, incluindo aquela que proíbe ajuntamentos de pessoas, foram aliviadas durante o fim-de-semana, de acordo com autoridades locais e informações da imprensa, nas vésperas do festival muçulmano do Eid, que marca o fim do Ramadão.

As restrições foram implementadas para evitar a desinformação, afirmou o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros indiano, Vijay Gokhale, numa conferência de imprensa esta segunda-feira em Nova Deli, acrescentando que as limitações foram impostas por precaução e serão levantadas.

As autoridades indianas impuseram o bloqueio por receio de protestos massivos depois de o primeiro-ministro, Narendra Modi, ter posto fim, numa acção surpreendente, a sete décadas de autonomia de Caxemira na semana passada. De uma assentada, o Governo passou uma legislação que põe a região sob controlo da administração central e permite a cidadãos indianos residentes fora do estado adquirirem propriedades em Caxemira.

Esta segunda-feira, grande número de pessoas juntou-se para as orações do Eid em todo o vale de Caxemira, escreveu na sua conta do Twitter Imtiyaz Hussain, polícia de Jammu e Caxemira.

Numa declaração, o Governo afirmou ter disponibilizado 300 cabines telefónicas para comunicações, enquanto os bancos começaram a abrir no sábado, de acordo com Shahid Choudhary, chefe do governo em Srinagar.

Mesmo assim, a situação mantém-se tensa, com manifestantes a marchar nas ruas e a entrar em confronto com as forças de segurança, como mostram imagens da BBC.

Numa declaração à nação, na quinta-feira, Narendra Modi saudou a “nova era” em Jammu, Caxemira e Ladakh e afirmou que a decisão trará prosperidade à região. Ao mesmo tempo, o chefe do Governo paquistanês, Imran Khan, alertava para o “genocídio” assim que o recolher obrigatório seja levantado.

No domingo, Amit Shah, o ministro do Interior indiano, afirmou que este passo irá pôr “fim ao terrorismo” no estado.

Caxemira tem sido o principal ponto de discórdia entre a Índia e Paquistão desde que os britânicos deixaram o subcontinente em 1947. Os dois países reclamam Caxemira como sua tendo feito duas guerras e uma escaramuça por causa da região.

Respondendo aos desenvolvimentos na Índia, o Paquistão anunciou uma série de medidas para se opor ao que chama de “acções ilegais e unilaterais” da Índia. Islamabad reduziu as relações diplomáticas e suspendeu o comércio com a Índia e sublinhou que levará a questão ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, assegurando que as suas forças armadas se mantêm vigilantes. A Índia instou o Paquistão a rever a sua decisão.

No fim-de-semana, o Paquistão impôs restrições de altitude aos aviões estrangeiros no espaço aéreo de Lahore.

As relações entre os dois rivais sul-asiáticos já estavam sob pressão desde o atentado suicida em Caxemira que matou 40 paramilitares indianos em Fevereiro. A Índia respondeu com ataques aéreos e o Paquistão retaliou abatendo um caça indiano.

A Índia acusa o Paquistão de apoiar e armar extremistas em Jammu e Caxemira, acusação negada pelo Paquistão que afirma dar apenas apoio moral aos separatistas.