Crítica

Guitarras e sampling, o casamento do século

Liam, Jake, Ricky e Michael: era uma vez um bando de quatro miúdos ingleses a abanar a cena inglesa. Mind the gap!

Chinatown Slalom quatro miúdos de Liverpool a criarem harmonias exuberantes, profusamente arranjadas, e cuja luminosidade rapidamente se cola ao ouvido
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Chinatown Slalom, quatro miúdos de Liverpool a criarem harmonias exuberantes, profusamente arranjadas, e cuja luminosidade rapidamente se cola ao ouvido Clifford Jago

Em 2017, quando aqui trazíamos o então desconhecido nome de Loyle Carner, falávamos do parco entusiasmo para com a música inglesa (não apenas o hip-hop) que vinha sendo revelada em anos mais recentes. Ora, à laia de introdução, diga-se que os nomes de Lennon, Ringo, McCartney e George Harrison têm sido, mais ou menos apropriadamente, evocados no momento de se olhar para os Chinatown Slalom: quatro miúdos de Liverpool a criarem harmonias exuberantes, profusamente arranjadas, e cuja luminosidade rapidamente se cola ao ouvido. Numa evolução natural, sintonizada com as transformações da música popular e da cultura urbana das últimas décadas, estes promising four operam, contudo, em termos diferentes (simultaneamente dialogando com outras e difusas figuras da música inglesa mais recente): onde os Beatles partiam do rock para, juntamente com outros elementos (psicadelismo, blues, música clássica), o sublimar em baladas pop de alto quilate, os Chinatown Slalom partem do hip-hop instrumental (ou, mais rigorosamente, de toda a cultura sonora que lhe está associada: sampling, de música e não só; programações e breaks; apontamentos de scratch) para chegar a um rock mais electrónico do que eléctrico (como esse da pujante 830, que traz, por momentos, os Radiohead para a equação).