Comunistas questionam “para que servem” portugueses na Comissão Europeia

Governo indicou quatro nomes, de dois homens e de duas mulheres a Ursula von der Leyen.

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Rui Gaudêncio

O dirigente comunista Ângelo Alves questionou "para que servem” portugueses na Comissão Europeia (CE), ao comentar a notícia, avançada nesta quinta-feira pelo PÚBLICO, dos nomes da vice-governadora do Banco de Portugal, Elisa Ferreira, e do eurodeputado Pedro Marques como sendo candidatos lusos. A Lusa acrescentou entretanto que “fonte conhecedora do processo” assegura que o Governo indicou um total de quatro nomes, dois homens e duas mulheres, “com perfis diversos e, portanto, concorrentes a pastas diferentes”, e que tal aconteceu há mais de três semanas.

“[A CE] Tem sido a face visível da imposição do neoliberalismo e da opção pelo militarismo que a União Europeia está a desenvolver também e ficou muito claro nas recentes decisões. A questão aqui está mais em questionar: para que servem portugueses a participar num organismo como a CE, cuja matriz política está definida à partida”, questionou nesta quinta-feira Ângelo Alves, membro do Comité Central do PCP, em conferência de imprensa na sede nacional do partido, Lisboa.

Ângelo Alves referiu “um longo historial sobre análises, especulações e até entusiasmos relativamente à nomeação de portugueses para tais cargos”, à margem de uma declaração sobre recentes decisões do presidente norte-americano, Donald Trump, traçando paralelos com o 74.º aniversário dos bombardeamentos atómicos das cidades japonesas de Hiroxima e Nagasáqui.

“A questão não é tanto os nomes, são os compromissos e as políticas que vão ser defendidos no quadro de uma Comissão Europeia, que tem as características que tem, um órgão não eleito, por excelência o rosto do federalismo e da imposição de políticas que atentam contra a soberania dos Estados. Se houvesse dúvidas, todo o processo de nomeação, quer do presidente da CE, quer do Banco Central Europeu, quer do próprio Conselho Europeu ou da Alta Representante [para Política Externa e Segurança], retirou-as. Existe um consenso entre social-democracia e direita, que agora foi alargado aos liberais por necessidades de contabilidade para a realização desses acordos, que está sustentado numa matriz política e ideológica contra a qual o PCP se bate”, concluiu.

O primeiro-ministro, António Costa, indicou há quase um mês quatro nomes de portugueses, duas mulheres e dois homens, à presidente eleita da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, para compor o futuro executivo continental e dois deles já foram ouvidos.

Contudo, o gabinete do chefe do Governo português escusou-se nesta quarta-feira a comentar quaisquer nomes envolvidos, nomeadamente os da ex-eurodeputada Elisa Ferreira e do ex-ministro das Infra-estruturas, Pedro Marques, apontados pelo PÚBLICO como tendo sido indicados por António Costa e que já terão reunido quarta-feira com a ex-ministra da Defesa germânica, na sua ronda de contactos informais com os candidatos escolhidos pelos Estados-membros. Um porta-voz de Ursula von der Leyen confirmou que a futura presidente da Comissão se reuniu na quarta-feira com dois candidatos portugueses.