Kyriakos Mitsotakis e os políticos que dão azar

O novo primeiro-ministro grego tem uma fama que o persegue, e que já antes o seu pai, também político, carregava: dizem que traz azar. É mais provável que sejam boatos da oposição, mas as histórias sucedem-se-

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A disposição de muitos gregos para acreditar que Mitsotakis traz azar vem da mesma reputação do seu pai, Konstantinos KOSTAS TSIRONIS/EPA

Depois de um tremor de terra de 5,1 na escala de Richter atingir Atenas e deixar muitas pessoas assustadas, um repórter de televisão falou com o dono de uma loja de bebidas que onde muitas garrafas se partiram. “Muitos danos, sim, mas temos de esperar que estas coisas aconteçam, temos um primeiro-ministro que dá azar.”

O repórter que ouviu o comentário disse apenas “esta não é a uma abordagem séria” e a emissão avançou para outro local.

Reacções com esta mistura de superstição e humor não são raras na Grécia: já quando Alexis Tsipras, antecessor de Kyrakos Mitsotakis, foi eleito em Janeiro de 2015 e uma forte trovoada com uma enorme carga de água caiu sobre Atenas, a culpa foi passada ao “Governo de esquerda”.

Mas muitos gregos já estavam dispostos a acreditar na “maldição Mitsotakis” e viram numa série de acontecimentos em apenas um mês à frente do país a confirmação da sua teoria: um tornado em Halkidiki, incêndios florestais em Evia, uma onda de calor, seguida de frio em Julho, diz o blogue Keep Talking Greece, o tremor de terra de 5,1 na escala de Richter em Atenas, e um de 5 em Heraklion, Creta. E, a gota de água, no fim-de-semana em que Mitsotakis visitou Karpathos… houve um tremor de terra de 5,1 na ilha.

A disposição de muitos gregos para acreditar que Mitsotakis traz azar vem da mesma reputação do seu pai, Konstantinos, que foi primeiro-ministro entre 1990 e 1993. Embora seja difícil de perceber que acontecimentos exactos levaram a esta fama, foi assim que muitos gregos, provavelmente de outro partido que não a Nova Democracia (a que pertenceu o pai, a que pertence o filho), o viram: como “culpado” de variados acontecimentos desde pequenos incêndios provocados por fogo-de-artifício em festas locais até ao colapso da União Soviética – porque Konstantinos visitou Moscovo pouco antes.

Há outros políticos com fama de trazer azar: Carlos Menem, da Argentina, Presidente entre 1989 e 1999, tinha tal fama que aceitou deixar de assistir aos jogos de futebol do seu clube, o River Plate, e há inúmeras descrições de casos em que provocou desgraças maiores e menores. De tal modo que havia quem não dissesse o seu nome por temer atrair a má sorte.