Crítica

Clichés de Bombaim

Fotografia é modorra típica do “esperanto” do world cinema, feita ao gosto de uma audiência internacional.

<i>World cinema</i> ao gosto de uma audiência internacional: <i>Fotografia</i>
Foto
World cinema ao gosto de uma audiência internacional: Fotografia

Duas das poucas cenas minimamente curiosas de Fotografia passam-se num velho cinema de Bombaim, aonde as personagens vão ver algo que se adivinha ser rotina bollywoodiana, e que continua a estar cheio. São cenas que sugerem que o cinema continua a estar no centro dos hábitos recreativos indianos, pelo menos ali em Bombaim, e por certo aquele cinema que há décadas garante a auto-subsistência da indústria indiana, feita por indianos para indianos, e que se até se exporta não é minimamente feito a pensar em audiências estrangeiras, muito menos ocidentais. Exactamente o contrário de Fotografia, o filme com que Ritesh Bhatra dá sequência a A Lancheira, que era, digamos, praticamente igual a este: uma “comédia romântica” muito leve, a carregar docemente nas teclas do folclore e do exotismo (muito traje tradicional, alguns postaizinhos das ruas de Bombaim), com ligeiras pretensões a photomaton social (em foco estão as tradições e pressões sociais, em especial o lugar da mulher), tudo construído de forma um tanto anedótica, quer dizer, a tender para um final em punchline (que efectivamente acontece).