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Tartaruga Quinas regressa a casa, ao mar

Tartaruga-de-couro de 300 quilos tinha sido resgatada em Junho na Meia Praia, em Lagos.

Quinas, a tartaruga com 300 quilos que foi resgatada em Lagos em Junho, foi esta quarta-feira, 7 de Agosto, devolvida ao mar a 10 milhas a sul de Portimão. O animal foi levado a bordo de uma corveta da Marinha Portuguesa, depois de recuperar de ferimentos causados por ter ficado presa em cabos de amarração.

“Este é um momento que não esperava que fosse possível”, revelou Élio Vicente, director do Porto d’Abrigo do Zoomarine, centro que o parque temático criou em 2002 para a reabilitação da fauna marinha. Foi lá que a tartaruga-de-couro, baptizada como Quinas, passou seis semanas em recuperação.

A bordo da corveta António Enes, o biólogo marinho que coordenou a operação, confessava à Lusa o seu receio em relação à recuperação de espécies consideradas “muito sensíveis às condições de cativeiro”, como é o caso desta, especialmente depois de experiências falhadas no passado.

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Após uma entrada na água algo atribulada, o animal foi devolvido em segurança. Termina assim um processo que, segundo Élio Vicente, envolveu “a sociedade”, até na escolha do nome, feita através das redes sociais. O responsável agradece às pessoas que “recorrentemente enviaram medusas que serviram de alimento a esta tartaruga” e ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera que, de forma diária, enviou informação “dos locais onde havia mais medusas”, para facilitar a apanha.

No dorso de Quinas foi instalado um aparelho de monitorização via satélite que vai permitir acompanhar o percurso do animal durante 36 meses. A devolução do animal ao mar contou com a contribuição da Marinha Portuguesa, numa missão que “é uma continuação do trabalho de outros anos”, afirmou, por seu turno, o comandante da Zona Marítima do Sul, Nuno Cortes Lopes, recordando que é também papel da Marinha contribuir “para os valores ambientais da cidadania marítima”.

O Quinas é um macho da espécie Dermochelys coriacea, a maior espécie de tartarugas marinhas, mede dois metros de comprimento e pesa 300 quilos. Estes animais alimentam-se essencialmente de medusas e podem ser encontrados em praticamente todos os oceanos, vivendo quase toda a vida em alto-mar, rumando à costa apenas para a desova.

Este exemplar foi avistado por banhistas na Meia Praia, em Lagos, em Junho, onde esteve cerca de três horas a lutar para se libertar de cabos de amarração. Alertados os nadadores-salvadores e a Polícia Marítima, foi depois transportado para o Porto D’Abrigo do Zoomarine, onde recuperou durante cerca de um mês e meio.

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