Itália

Roma não quer turistas sentados na mais célebre escadaria da cidade

É probido sentar-se na icónica Escadaria da Praça de Espanha e a polícia começou a impor a medida: quem se senta é afastado à assobiadela e há multas de 250 a 400 euros.

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A escadaria fotografada esta quarta-feira CLAUDIO PERI/EPA
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A escadaria fotografada esta quarta-feira CLAUDIO PERI/EPA
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A escadaria fotografada esta quarta-feira CLAUDIO PERI/EPA
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A escadaria fotografada esta quarta-feira CLAUDIO PERI/EPA
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A escadaria fotografada esta quarta-feira CLAUDIO PERI/EPA
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A escadaria fotografada esta quarta-feira CLAUDIO PERI/EPA
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A escadaria fotografada esta quarta-feira CLAUDIO PERI/EPA

É uma imagem típica de Roma: dezenas e dezenas de turistas sentados nos degraus da Scalinata di Trinità dei Monti, mais célebre como a Escadaria da Praça de Espanha, já que liga precisamente a piazza di Spagna à igreja de Trinità dei Monti. Melhor: era uma imagem típica de Roma. A cidade avançou com a imposição de novas regras urbanas e entre elas estão proibições como sentar-se com comida e bebida em monumentos históricos. E de fora fica também a opção de sentar-se na Escadaria da Praça da Espanha: as multas podem ir de 250 a 400 euros e a polícia já começou a actuar.

Nesta terça-feira, relata o jornal italiano La Repubblica​, a polícia já estava a ordenar às pessoas para saírem do local, soprando apitos para chamar-lhes a atenção. A lei agora é que a escadaria serve apenas para transitar.

PÚBLICO - A escadaria é um dos sítios mais visitados pelos turistas em Roma
A escadaria é um dos sítios mais visitados pelos turistas em Roma REUTERS/Tony Gentile
PÚBLICO - A cerimónia de reabertura da escadaria após restauro em 2016
A cerimónia de reabertura da escadaria após restauro em 2016 REUTERS/Alessandro Bianchi
PÚBLICO - Um dos famosos desfiles realizados na escadaria, este incluído na semana da moda de Roma em 1998
Um dos famosos desfiles realizados na escadaria, este incluído na semana da moda de Roma em 1998 REUTERS/Paolo Cocco
PÚBLICO - A escadaria decorada após restauro
A escadaria decorada após restauro REUTERS/Paolo Cocco
PÚBLICO - Trabalhadores durente a limpeza da escadaria, utilizada por milhares de pessoas
Trabalhadores durente a limpeza da escadaria, utilizada por milhares de pessoas REUTERS/Alessandro Bianchi
PÚBLICO - Espectáculo de pirotecnia para celebrar o restauro em 2016
Espectáculo de pirotecnia para celebrar o restauro em 2016 REUTERS/Alessandro Bianchi
PÚBLICO - Durante o espectáculo de reabertura da escadaria em 2016
Durante o espectáculo de reabertura da escadaria em 2016 REUTERS/Alessandro Bianchi
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A escadaria é um dos marcos de Roma e uma das atracções mais fotografadas de Itália. Construída entre 1723 e 1726 e desenhada pelo arquitecto Francesco de Sanctis, a escadaria de mármore branco tem servido de cenário para sessões de fotografias, desfiles de moda e filmes icónicos como Férias em Roma (1953), de William Wyler, protagonizado por Audrey Hepburn e Gregory Peck.

Além disso, era uma forma de orientação para os turistas, bem como um local onde estes ouviam música ou comiam um gelado, ou aproveitavam para esperar o pôr-do-sol. Mas as autoridades romanas já há algum tempo que queriam desencorajar este tipo de comportamento de massas turísticas. No entanto, só agora é que as regras estão a ser aplicadas de forma mais rigorosa.

Em 2016, a a escadaria foi alvo de obras de restauro de 1,5 milhões de euros, financiadas pela marca italiana Bulgari. O projecto envolveu mais de 80 restauradores e mestres artesãos, que repararam o monumento após anos de uso e desgaste. Neste sentido, as novas regras urbanas de Roma, conhecidas como Daspos, pretendem preservar o carácter da cidade, incentivando os visitantes a respeitar o ambiente.

Os Daspos foram também introduzidos em cidades como Florença e Veneza e impedem outros comportamentos disruptivos. No mês passado, dois visitantes alemães foram multados em 950 euros por fazerem café na ponte de Rialto, em Veneza, tendo sido convidados a deixar a cidade.

Novas regras dividem a capital

O novo regulamento policial está a gerar opiniões diversas, com alguns críticos a considerarem esta proibição “fascista”. É o caso de Vittorio Sgarbi, crítico de arte e especialista em património cultural, que disse ao La Repubblica que “proibir os turistas de se sentar é realmente excessivo”, parecendo-lhe a regra “um pouco fascista”.

Também Giuseppe Roscioli, presidente da Federalberghi, uma associação hoteleira, crê que a medida é exagerada, uma vez que “os turistas devem poder descansar um pouco depois de passear pela cidade”.

Já Viviana Di Capua, chefe de uma associação de moradores do centro histórico de Roma, apresenta uma visão oposta, declarando que “Roma precisa de ser respeitada e as pessoas precisam de entender que nem tudo é permitido”. “Há um turismo em Roma actualmente que não respeita a cidade”, disse à televisão italiana RAI.