Onda de descidas de juros nos bancos centrais e mercados

Deterioração da conjuntura leva bancos centrais um pouco por todo o mundo a agir, com juros a cair na dívida pública europeia. Taxas de juro das obrigações portuguesas a dez anos estão já abaixo dos 0,2%.

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LUSA/JIJI PRESS

A Reserva Federal norte-americana baixou juros na semana passada, o Banco Central Europeu (BCE) prepara-se para o fazer em Setembro e, no meio de uma deterioração da conjuntura económica provocada pela escalada do conflito comercial entre os EUA e a China, vários bancos centrais anunciaram nesta quarta-feira uma descida das suas taxas de juro directoras ou a análise no futuro de novas medidas.

São vários os sinais de que o mundo se está já a preparar para o risco de uma recessão mundial, com nenhum banco central a querer ser apanhado desprevenido ou com a sua divisa sobrevalorizada.

Nesta quarta-feira, uma série de anúncios por parte de bancos centrais surpreenderam os mercados. Na Nova Zelândia, a taxa de juro directora foi reduzida em 0,5 pontos, para 1%, um movimento que surpreendeu pela sua dimensão. Logo a seguir, o banco central tailandês baixou a sua taxa de juro em 0,25 pontos para 1,5%, uma medida que também não estava a ser antecipada pelos analistas.

Ao mesmo tempo, responsáveis do banco central do Japão, que já tem as taxas a zero há muito tempo, revelaram a intenção de discutir novas medidas de estímulo à economia.

Esta expectativa de descida ainda mais acentuada das taxas de juro dos bancos centrais e de prolongamento de níveis muito baixos nesse indicador, durante muito tempo, está a fazer com que no mercado da dívida pública se continuem também a registar recordes de mínimos nas taxas de juro.

Na zona euro, esta quarta-feira está a ser mais um dia de descida das taxas de juro da dívida. No caso da Alemanha, as taxas a dez anos já estão abaixo dos -0,5%, batendo recordes históricos sucessivos. E a taxa de juro a dez anos, que caiu para valores negativos pela primeira vez esta semana, baixou agora a barreira de -0,1%.

Portugal também está entre os países que vêem a sua dívida a ficar com taxas de juro cada vez mais baixas nos mercados. A dívida a dez anos caiu, pela primeira vez na sua história, abaixo dos 0,2%, tornando o cenário de uma taxa abaixo de zero cada vez mais possível.