Trump volta a acusar Google de o prejudicar e diz que vai vigiar a empresa

As inclinações políticas das grandes tecnológicas têm sido um tema de debate nos EUA.

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Trump já tinha tido o mesmo em Agosto do ano passado LUSA/JIM LO SCALZO

O Presidente americano acusou o Google de o prejudicar deliberadamente através da selecção de notícias que apresenta nas suas plataformas, afirmando que irá vigiar o comportamento da empresa.

Foi uma entrevista a um antigo funcionário do Google no canal conservador Fox News que motivou Donald Trump a escrever nesta terça-feira uma série de mensagens no Twitter, em que retoma acusações que já tinha feito noutras ocasiões.

Nas mensagens, Trump refere ainda uma reunião com o presidente do Google, Sundar Pichai, que terá ido à Casa Branca assegurar ao Presidente que a empresa não tem planos para favorecer os seus rivais políticos. Trump não especificou se esta foi uma reunião recente, ou se a conversa terá acontecido durante encontros anteriores que os executivos das grandes tecnológicas tiveram com Trump.

“[Sundar Pichai] do Google esteve na Sala Oval a esforçar-se muito para explicar o quanto gostava de mim, o grande trabalho que a Administração está a fazer, e que o Google não esteve envolvido com militares chineses, que não ajudou a Hillary Corrupta nas Eleições de 2016, e que eles NÃO estão a planear subverter ilegalmente as eleições de 2020, apesar de tudo o que tem sido dito em contrário”, afirmou Trump, em duas publicações consecutivas.

De seguida, Trump refere um antigo engenheiro do Google, despedido em 2018 e que tem sido alvo de cobertura mediática nos EUA por afirmar que a empresa é intolerante em relação a funcionários conservadores e de direita: “Tudo parecia bem até eu ter visto Kevin Cernekee, um engenheiro do Google, a dizer coisas terríveis sobre o que eles fizeram em 2016 e que eles querem ‘garantir que o Trump perde em 2020'”.

Cernekee tinha sido entrevistado na Fox News – um canal de que Trump é espectador assíduo – e foi recentemente tema de um artigo no The Wall Street Journal. À imprensa americana, o Google afirmou que as declarações do antigo funcionário são falsas.

Já numa terceira publicação no Twitter, na qual se enganou a escrever o próprio nome, o Presidente americano afirma que o Google “suprimiu histórias negativas sobre a Hillary Clinton, e amplificou histórias negativas sobre Donald Ttump [sic]”.

“Tudo muito ilegal. Estamos a vigiar o Google muito de perto!”, concluiu o Presidente dos EUA.

Não é a primeira vez que Trump faz este género de acusação. Em Agosto do ano passado, disse que os resultados no Google de uma busca por “Trump news” mostravam menos notícias de sites de direita e conservadores. Na altura, a Casa Branca disse que iria fazer uma análise às práticas do Google (cujos resultados das pesquisas variam consoante os utilizadores).

O posicionamento político das empresas de tecnologia tem sido debatido nos EUA, sobretudo desde que, na sequência das presidenciais de 2016, surgiu a preocupação com a capacidade das plataformas online para influenciarem opiniões.

Recentemente, David Marcus, um executivo de topo do Facebook, foi ouvido no Congresso, a propósito da moeda digital libra. Um congressista republicano questionou se o Facebook deixaria que a moeda fosse usada para fins contrários às ideias de “um local extremamente de esquerda” como Silicon Valley, dando como exemplo a compra de armas (Marcus respondeu que a empresa acolhia ideias de todo o espectro político).

Já no início de 2018, um outro engenheiro do Google que fora despedido meses antes tinha recorrido à justiça para se queixar de que a empresa discrimina negativamente homens brancos e conservadores.

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