Extrema-direita à frente no Leste da Alemanha

A um mês das eleições regionais em Brandeburgo e Saxónia e a dois das da Turíngia, a AfD supera a CDU de Merkel. Em termos nacionais, ultrapassa o SPD.

Apoiantes da Alternativa para a Alemanha, num protesto em Berlim
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Apoiantes da Alternativa para a Alemanha, num protesto em Berlim Hannibal Hanschke/Reuters

A Alternativa para a Alemanha (AfD) surge à frente nos estados do Leste da Alemanha, superando a CDU da chanceler, Angela Merkel. A AfD aparece com 23% das intenções de voto, contra 22% dos conservadores, na sondagem do Bild am Sontag publicada este domingo.

A menos de um mês das eleições nos estados de Brandeburgo e Saxónia e a menos de dois do sufrágio na Turíngia, a extrema-direita parece encaminhada para uma vitória nos estados que antes de 1990 compunham a Alemanha Democrática.

O partido, que entrou pela primeira vez no Bundestag (Parlamento alemão) em 2017, e como principal força da oposição, que sempre teve uma base de apoio maior no Leste do país, está a um passo de sair vitorioso em eleições regionais.

AfD e CDU aparecem destacados como os favoritos no Leste, com o Die Linke na terceira posição, com 14% das intenções de voto, e os Verdes logo a seguir, com 13% – verdes que em termos nacionais se consolidam como a segunda força política, com 23% das intenções de voto.

Quanto aos sociais-democratas do SPD, parceiros de coligação no Governo liderado por Angela Merkel, continuam no seu processo de erosão. Aquele que foi o partido dominador da Alemanha está reduzido a 11% na zona oriental do país e em risco de perder o governo de Brandeburgo que detém desde a reunificação em 1990.

Se a CDU também perder o executivo da Saxónia a 1 de Setembro, a pressão sobre a coligação nacional CDU/CSU-SPD aumentará e com ela a possibilidade de eleições antecipadas.

Contudo, em termos nacionais, os resultados da sondagem do Bild am Sontag, cujo trabalho de campo foi realizado entre 25 e 31 de Julho, provocam menos dores de cabeça a Merkel e a Annegret Kramp-Karrenbauer, a líder da CDU e agora ministra da Defesa, principalmente, porque a CDU consegue manter-se estável nos 26% como o partido mais popular.

O mesmo não se poderá dizer do seu partido de coligação, o SPD, que perde o terceiro lugar em termos nacionais para o AfD, com mais uma descida nas intenções de voto, de 14% para 13%, exactamente aquilo que a AfD subiu, passando de 13% para 14%.

De acordo com outra sondagem, esta do canal de televisão ARD, Merkel continua a ser a política mais popular da Alemanha, com 56% dos alemães a mostrarem-se satisfeitos com o seu trabalho (uma subida de dois pontos percentuais), seguida, com 51%, do ministro, dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, do SPD, com 51% (aumento de seis pontos).