Opinião

Ensinar Medicina na Universidade Católica Portuguesa

A UCP está preparada para oferecer ao país mais uma área de ensino que completa a sua oferta formativa de qualidade, desenvolvendo sinergias internas que se reflectirão decerto na qualidade de ensino dos outros domínios científicos.

É público, já, que a Universidade Católica Portuguesa (UCP) propôs, à agência nacional de acreditação, a criação de um curso de Medicina. É a primeira vez que isso acontece volvidos que são 50 anos de existência da Universidade. Justifica-se, por isso, que se dê alguma notícia pública sobre o assunto, visto esta Universidade ter um papel social de relevo no país em múltiplos domínios.

Antes de mais, importa fazer um enquadramento histórico, que podia ser recuado à missão de Cristo de curar os enfermos, mas que talvez tenha mais relevância contextual falar da Escola Médica de Salerno criada por bula papal há quase mil anos. Foi a primeira escola médica europeia, criada numa estância termal integrada num convento de frades. Ali convergiam doentes de todas as partes do mundo, para serem tratados, e médicos, que ficaram célebres, que vinham observar os doentes e transmitir os seus conhecimentos na forma que podemos considerar equivalente ao que hoje se designa por aprendizagem baseada em problemas. Não havia curriculum mas havia doentes e mestres. O primeiro curriculum médico surgiu mais tarde em Montpellier, mas nesse caso não havia doentes, mas havia mestres e livros que tinham mais importância do que a realidade observada nos doentes.

Hoje, o ensino médico necessita das três coisas: bons mestres, boa informação escrita (e investigação científica própria) e boa prática clínica orientada por princípios de solidariedade e compaixão pelos que sofrem, constituindo uma relação de ajuda baseada na evidência científica. Nas Universidades Católicas espalhadas por todo o mundo existem cursos de Medicina com a missão semelhante de formar profissionais capazes de exercer o seu mister à luz dos princípios enformadores próprios dessas Universidades.

Em 2004 foi criado o Instituto de Ciências da Saúde com a missão incubadora de criar ensino nas múltiplas áreas da saúde, cuja prática, hoje em dia, tem que ser entendida como multidisciplinar. Ao longo destes 15 anos foi possível desenvolver a Escola de Enfermagem no Porto e em Lisboa, que constitui hoje um modelo de ensino dos três graus académicos com investigação científica própria, consolidar o Mestrado Integrado de Medicina Dentária no pólo de Viseu e ainda criar o ensino de temas que são próprios da identidade da UCP, como são os cuidados paliativos. A experiência acumulada e a reflexão continuada permitiram a criação de um projecto de curso médico com a qualidade que se entendeu ser necessária para emparceirar com a qualidade do ensino que é característico dos outros domínios do saber ensinados na UCP.

Como tem sido hábito da UCP em todos os cursos, também este foi presente à avaliação da Agência A3Es, na certeza de que todos os requisitos de qualidade estão assegurados, estando a UCP preparada para oferecer ao país mais uma área de ensino que completa a sua oferta formativa de qualidade, desenvolvendo sinergias internas que se reflectirão decerto na qualidade de ensino dos outros domínios científicos. Recebe, ainda, a UCP a energia das suas congéneres europeias e intercontinentais com as quais partilha conhecimento, sobretudo da Universidade de Maastricht, com a qual estabeleceu uma parceria estratégica para a formação em Medicina. Importa salientar o papel de relevo que tem presentemente a UCP no contexto das Universidades Católicas de todo o mundo, sendo a sua reitora presidente da Associação Internacional das Universidades Católicas, o que tem decerto importância para o arranque desta importante iniciativa.