Daniel Mestre vence ao sprint em Castelo Branco

W52/FC Porto preparou ponta final demolidora, com o camisola amarela Gustavo Veloso e o primeiro líder da Volta a Portugal, Samuel Caldeira, a abrirem caminho ao companheiro.

Corrida de bicicleta de estrada
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LUSA/NUNO VEIGA
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Daniel Mestre, da W52/FC Porto, venceu ontem a terceira etapa da Volta a Portugal, impondo-se, finalmente, ao sprint. Com um dia abrasador, a atingir 38 graus, os ciclistas percorreram os 194 quilómetros entre Santarém e Castelo Branco em 5h11m37s, numa tirada marcada por uma fuga de quase 190 quilómetros, a anteceder o assalto à Torre. A W52/FC Porto emergiu no final, depois de anulada a fuga do dia, preparando de forma demolidora um final perfeito para a vitória de Mestre, que permitiu ainda a Gustavo Veloso, sétimo na etapa, continuar de amarelo.

Veloso e Samuel Caldeira, o primeiro a envergar o símbolo de líder na 81.ª edição da Volta, foram, de resto, determinantes para levar o companheiro ao triunfo em Castelo Branco, onde superou o francês Clément Russo (Arkea Samsic) e o norueguês August Jensen (Israel Cycling Academy), assumindo o terceiro lugar da geral, a oito segundos do líder, na sequência da sanção aplicada a Jóni Brandão.

O quarto dia da Volta foi, de resto, dominado pela penalização de 10 segundos aplicada pelo Colégio de Comissários (CC) ao chefe de fila da Efapel. Um minuto após ter sido dada a partida real, o presidente do CC anunciou o castigo, decisão assumida na sequência da análise das imagens da trasmissão da RTP referentes à segunda etapa, quando, a 55 quilómetros da chegada a Loures, Jóni Brandão “recebeu um impulso do carro de apoio, sem que se tivesse verificado qualquer avaria mecânica”. A penalização atirou-o para o décimo posto, agora a 23 segundos de Gustavo Veloso.

Indiferente à sorte do “vice” da edição do ano anterior, a dupla formada por Jayde Julius (ProTouch) e Guillaume Almeida (Sicasal-Petro) iniciou a fuga do dia, ganhando rapidamente uma vantagem que atingiu os 2m35s à passagem da primeira meta volante, em Alpiarça, e que quase duplicou passados  seis quilómetros. A nove minutos do líder, Jayde Julius não constituía ameaça, embora à entrada da Chamusca, com 25 quilómetros percorridos e o pelotão a 11m30s, o sul-africano da ProTouch fosse já líder virtual. 

A vantagem acabaria por estabilizar para começar a cair quando a Caja Rural assumiu a perseguição e o calor arrefeceu o ânimo dos fugitivos. À passagem por Tancos, Gustavo Veloso voltava a ser líder virtual, enquanto Julius aproveitava para ganhar a segunda meta volante, em Abrantes, a mais de 120 quilómetros da chegada a Castelo Branco. 

Sem grandes ilusões, a dupla entrou na subida para Penhascoso, onde foi a vez de Guillaume Almeida vencer a contagem de quarta categoria, já com o pelotão a cerca de quatro minutos, diferença reduzida a 2m20s  cerca de 10 quilómetros mais à frente, na abordagem ao Gavião (3.ª categoria), com o homem da Sicasal a somar nova vitória. 

Enquanto os fugitivos desesperavam com os 38 graus, Tiago Machado, com a ajuda dos companheiros do Sporting-Tavira, recuperava de uma avaria mecânica que o obrigou a trocar de bicicleta, já em plena subida. Guillaume somaria ainda mais uma contagem de montanha, na Serra de S. Miguel, deixando a terceira meta-volante para Jayde Julius, em Vila Velha de Ródão, antes de o CC ordenar o alargamento do abastecimento líquido até ao último prémio de montanha, a 12 quilómetros da meta, e de o pelotão encurtar a diferença para um minuto.

Guillaume Almeida acabaria por deixar Julius seguir a solo, embora por pouco tempo, já que o sul-africano seria alcançado a seis quilómetros da meta, onde a W52/FC Porto não deu hipóteses nem à Caja Rural nem à Israel Cycling Academy, que ainda tentaram a vitória ao sprint.

A selectiva quarta etapa, na extensão de 145 quilómetros, entre Pampilhosa da Serra e a Torre, deverá provocar alterações significativas na classificação geral, com a contagem de montanha de categoria especial a filtrar os candidatos à vitória na Volta a Portugal.