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Zoomarine: acusações das organizações internacionais são “graves e infundadas”

O parque aquático do Algarve diz que a World Animal Protection e a Fundação Change for Animals se baseiam “em falsos problemas” no relatório que acusa o Zoomarine de usar abusivamente golfinhos como entretenimento em espectáculos.

“Graves e infundadas”. É assim que o Zoomarine descreve as acusações do relatório da organização World Animal Protection e da Fundação Change for Animals, que critica o parque aquático do Algarve por uso abusivo de golfinhos como entretenimento em espectáculos. No comunicado partilhado esta sexta-feira no site, o Zoomarine diz que as associações se baseiam “em falsos problemas ao nível do bem-estar exclusivo de golfinhos”.

No documento, o parque aquático diz também que estas associações “que se auto-designam pela defesa de animais” são, na realidade, marcadas por uma “índole ideológica” e que procuram “apenas angariar donativos criando indignação pública mesmo que para isso actuem com total desconsideração pela verdade”, criticam.

O Zoomarine descreve-se como um dos “zoos do mundo com melhores práticas do bem-estar animal” e garante ter como prioridade “garantir o bem-estar e a saúde dos animais sob o seu cuidado humano”. 

O parque aquático salienta ter um contributo “realmente efectivo” na conservação da natureza, nomeadamente com a criação do primeiro Centro de Reabilitação de Espécies Marinhas em Portugal em 2002, em colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e pelo apoio a programas de conservação, como por exemplo a entrega de 52 mil euros ao World Parrot Trust. No mesmo comunicado, diz ainda ter sido inspeccionada e avaliada pela organização American Humane e de ter recebido uma pontuação de 94,78%.

No comunicado, o Zoomarine acaba por não fazer nenhuma referência às críticas especificas da organização World Animal Protection e da Fundação Change for Animals, que dizem ter assistido ao tratamento dos golfinhos como “meros adereços para selfies”, enquanto os visitantes os abraçavam, acariciavam ou os beijavam. Segundo estas associações, a interacção directa entre animais e humanos é uma circunstância favorável à transmissão de doenças infecciosas entre as espécies.

A World Animal Protection e a Change for Animals condenaram também os zoos e parques aquáticos que obrigam os golfinhos a imitar acções humanas, como acenar com as barbatanas, ou ficarem à beira do tanque a fingir que estão a “apanhar sol” na praia. Segundo o relatório, durante os espectáculos, os golfinhos passam muito tempo à superfície da água — obrigados a observar os treinadores para receberem as “ordens” ou recompensas —, o que faz com que tenham os olhos demasiado expostos ao sol, podendo sofrer lesões oculares.

A World Animal Protection escreveu ainda que manter os golfinhos fechados em pequenos tanques constitui uma “vida desprovida de naturalidade”. Critica também o sistema de recompensas dos golfinhos, descrevendo este treino como “controverso”, pois, em vários casos, envolve a negação de comida aos animais para depois a utilizar como “recompensa”, se uma tarefa for devidamente executada. O barulho da plateia e a repetição de várias actividades ao longo do dia expõem também os animais a um elevado nível de stress.