Direita vai governar Madrid depois de ter fechado acordo com o Vox

Partido de extrema-direita vai apoiar coligação entre o PP e o Cidadãos e conseguiu ver algumas medidas suas viabilizadas.

Nuno Melo
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Comício do Vox em Madrid, durante a campanha eleitoral Adriano Miranda/PÚBLICO

O Partido Popular (PP) e o Cidadãos conseguiram chegar a um acordo para governar em coligação a Comunidade Autónoma de Madrid com o apoio parlamentar do Vox, de extrema-direita.

Depois de mais de dois meses de negociações, os partidos de direita conseguiram um entendimento com o Vox para garantirem uma maioria na assembleia regional de Madrid. PP e Cidadãos somavam 56 deputados e precisavam de pelo menos mais onze – o Vox conseguiu eleger 12 – para assegurar condições de governabilidade.

A última palavra coube ao Cidadãos, que negociava com a formação de extrema-direita. O líder regional do partido conservador, Ignacio Aguado, disse que foi encontrado “um denominador comum” com o Vox. “Apesar das diferenças evidentes entre Vox e o Cidadãos, as propostas não são incompatíveis com o acordo de governo assinado com o PP”, afirmou Aguado.

O executivo regional será chefiado por Isabel Díaz Ayuso, do PP, que garantiu que não foram feitas cedências a favor da extrema-direita. “Tudo o que está no documento do Vox é perfeitamente defensável por qualquer cidadão, não apenas pelos eleitores do PP ou do Cidadãos”, sublinhou Ayuso.

Um dos pontos mais sensíveis era a exigência do Vox em abolir as leis de defesa dos direitos LGBT em vigor a nível regional, que acabou por cair por terra. O partido também prescindiu do repatriamento de menores imigrantes não acompanhados.

No acordo ficou a alteração da designação da secretaria de Assuntos Sociais e Família para Assuntos Sociais, Família e Natalidade, com o encargo de “reverter o Inverno demográfico”, que também era reivindicado pelo Vox. Outra exigência que a extrema-direita conseguiu assegurar foi a introdução do “pin parental”, um mecanismo que obriga as escolas a informar previamente os pais dos alunos sobre os temas das aulas e palestras para que possam decidir sobre a participação do filho.

O líder regional do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE, de centro-esquerda), Ángel Gabilondo, disse que as propostas do Vox são “inquietantes” e “não respondem ao que é a sociedade madrilena”.

Será a primeira vez que a Comunidade de Madrid será governada em coligação. À semelhança do que sucedeu a nível nacional, as eleições regionais na capital, a 26 de Maio, produziram um cenário de grande fragmentação. Apesar de ter sido o partido mais votado, o PSOE não conseguiu encontrar parceiros para formar uma maioria estável. Nem a coligação Más Madrid, com 20 deputados, nem o Podemos, com sete, permitiam uma maioria.