Nova Iorque reabriu o seu castelo no Central Park

O Central Park guarda um castelo que nunca teve reis nem princesas. O Belvedere já foi estação meteorológica, já esteve ao abandono. Reabriu este Verão ao público após uma profunda remodelação que o aproximou dos planos originais de 1858.

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Castelo Belvedere
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,O grande gramado
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Castelo Belvedere
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Um castelo no coração de Nova Iorque? Sim, é mesmo verdade, embora nada que se compare com dimensões ou história tal como a Europa está habituada. Este é um jovem castelo, apesar de ter quase século e meio – 147 anos, para sermos exactos, e localiza-se na segunda colina mais alta do Central Park, com vista para o parque e arranha-céus da cidade.

Apesar da ideia dos castelos nos remeter para a realeza e membros da aristocracia, este castelo de Belvedere (belas vistas, em italiano), nunca teve o propósito de ser habitado. Quando abriu ao público, em 1872, o objectivo era que servisse como um miradouro para o parque, pelo que o castelo não tinha portas nem janelas. Começou a ser projectado 14 anos antes da data de abertura, por Frederick Law Olmsted e Calvert Vaux.

Reabriu no final de Junho depois de uma obra profunda de renovação e reconstrução, que se prolongou por 15 meses e foi orçamentada em 12 milhões de dólares. Desde a sua abertura no século XIX, o Belvedere já foi estação meteorológica e já passou mais de uma década votado ao abandono e vandalismo.

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Apesar de ter sido requalificado nos anos de 1980 e 1990, as obras não foram suficientes para travar a humidade que começava a apoderar-se da estrutura, daí a necessidade da actual intervenção. Mas voltemos ao início.

O castelo de Belvedere esteve aberto como miradouro até 1919, altura em que uma equipa meteorológica se mudou com os seus equipamentos para o edifício. Foram colocadas portas e janelas no castelo, que deixou de estar acessível ao público. O telhado em forma de cone, na única torre do castelo, também foi retirado para dar lugar aos equipamentos, tal como é explanado no site do Central Park Conservancy (CPC), a entidade privada e sem fins lucrativos responsável pela gestão do parque.

Esta equipa manteve-se no edifício até 1967: os sistemas automáticos passaram a substituir os meteorologistas, que já não precisavam de estar no local para a leitura dos dados. Desta forma, o castelo foi fechado por não existirem recursos suficientes para a manutenção, como é explicado no The New York Times.

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Com a saída dos meteorologistas, o castelo começou a entrar em rápido declínio. Por não existirem pessoas no local, o edifício foi também alvo de vandalismo. A falta de um plano de manutenção para os cerca de 341 hectares do Central Park também contribuiu para a decadência do local: partiram-se bancos e candeeiros e a infra-estrutura começou a ruir, como aponta a CPC no seu site.

Mas, até mesmo nesta altura de degradação, o castelo continuava a atrair a atenção dos mais curiosos. Em declarações ao New York Times, Tom Smith, um actor de 55 anos, lembra-se de subir ao castelo com os seus amigos à noite, nos anos 1980: “Adorávamos. A vista era fantástica”, recorda.

Um dos guardas do parque conta à mesma publicação que “os visitantes americanos continuam a ficar intrigados com a ideia de um castelo em Central Park”. No entanto, acrescenta que o mesmo não acontece com os europeus que visitam a construção. Habituados aos castelos da Europa, é comum a frase em tom de desilusão: “Ah, então o castelo é isto…”

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O edifício volta a abrir ao público em 1983, depois da sua primeira reconstrução – o telhado em forma de cone na torre do castelo foi refeito; foram recriados os pavilhões dos projectos iniciais de Frederick Law Olmsted e Calvert Vaux e as janelas passaram a incluir persianas de madeira. Mais tarde, em 1995, as janelas ganhariam ornamentos de ferro. 

Mas estas obras não foram suficientes para resolver alguns dos problemas estruturais, principalmente de humidade e infiltrações. Assim, na intervenção agora terminada, foi instalado um sistema de aquecimento e arrefecimento geotermal, para além de se acrescentar nova iluminação.

Houve ainda a preocupação de respeitar os desenhos originais de construção: acrescentou-se uma torre de madeira que fazia parte dos pavilhões do terraço principal e foram colocadas placas de vidro nas janelas, que permitem a vista desimpedida que Olmsted e Vaux pretendiam há mais de um século atrás.

As obras foram financiadas pela Thompson Family Foundation, que fez um donativo de 25 milhões de dólares (22,567 milhões de euros). Esta doação faz parte de um projecto ainda mais ambicioso do Central Park: angariar 300 milhões de dólares (perto de 271 milhões de euros) num prazo de dez anos, que serão aplicados na renovação de estruturas do parque. Até ao momento, já foram angariados 112 milhões de dólares (cerca de 101 milhões de euros), adiantou o The New York Times.