Escolha da UE para o FMI vai a votos. Centeno não participa

Centeno decidiu não ser um dos nomes sujeitos a votos esta sexta-feira, na escolha do candidato europeu à liderança do FMI

Fundo Monetário Internacional
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daniel rocha

A escolha do candidato que a Europa irá apresentar à liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI), habitualmente consensual, vai desta vez ser feita através de uma votação por maioria qualificada e Mário Centeno, numa decisão de última hora, optou por retirar o seu nome das escolhas possíveis.

Através da sua conta de Twitter, o presidente do Eurogrupo (e também ministro das Finanças português) anunciou esta quinta-feira ao fim da tarde que não irá “fazer parte desta fase do processo”, o voto que irão realizar as diferentes capitais europeias para escolherem o nome a apresentar pela UE como candidato à liderança do FMI.

Centeno afirma que “na tentativa de encontrar um candidato para liderar o FMI e noutras questões importantes da UE, devemos tentar encontrar terrenos comuns. Eu quero ajudar a encontrar um consenso”, afirma o presidente do Eurogrupo, que parece ainda assim não fechar completamente a porta a uma eventual participação futura no processo. “Mantenho-me disponível para trabalhar em direcção a uma solução que seja aceitável para todos”, diz.

Neste momento, uma decisão por consenso parece ser um cenário bastante difícil de alcançar. Depois de não ter conseguido encontrar um nome que as diversas capitais da UE estivesse dispostas a aceitar, o Governo francês — que foi chamado a coordenar o processo de escolha — optou por avançar já para uma votação, que irá decorrer hoje de manhã.

Inicialmente pensava-se que iriam a votos os cinco nomes que têm vindo a ser discutidos, incluindo o de Mário Centeno, definindo-se que, para vencer, um candidato terá de conseguir obter, numa ou em mais voltas, uma maioria qualificada, que é definida como o apoio de mais de 55% dos Estados-membros, representando, pelo menos, 65% da população da União Europeia.

A dispersão dos apoios expressos entre os candidatos é bastante significativa, sendo as divisões semelhantes às que, em relação a diversas outras matérias, têm dificultado os processos de decisão na UE nos últimos anos.

Do lado de Lisboa, existia a convicção de que, na votação, seria possível a Centeno obter o apoio, para além de Portugal, da Itália e de alguns países de Leste, como a Eslovénia. A ministra espanhola, Nadia Calviño, que é, com Centeno, a outra candidata proveniente de um país do Sul, parece nesta fase com dificuldades em expandir os apoios para além da Espanha.

Jeroen Dijsselbloem e Olli Rehn repartem os votos a norte. O ex-presidente do Eurogrupo tem contado com o apoio dos países do Benelux (Holanda, Bélgica e Luxemburgo) e da Alemanha, que não tem desistido desta candidatura, apesar da forma negativa como ela é vista por muitos países do Sul. Já o ex-comissário Olli Rehn conseguiu agregar o apoio de diversos pequenos países, na Escandinávia, no Báltico e no Leste. Kristalina Georgieva, a actual vice-presidente do Banco Mundial, tem o apoio da França e de vários países do Leste, mas, no caso de ser escolhida, a UE terá ainda de convencer outros países do FMI a alterarem a regra de limitação de idade em vigor para o cargo de director executivo.

Todos estes sinais de desunião têm o potencial para enfraquecer a posição europeia quando chegar a hora de o conselho executivo do FMI (composto por representantes dos países de todo o mundo) votar a escolha do líder da instituição, já que outros continentes têm expressado o desejo de acabar com o monopólio da UE na liderança do Fundo.