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Depois de massacre, mais de 40 presos são transferidos da prisão de Altamira

Confrontos entre facções criminosas fizeram 57 mortos. Desde o massacre de Carandiru que não morriam tantos reclusos numa cadeia brasileira.

Familiares das 57 vítimas às portas da prisão de Altamira, no Pará
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Familiares das 57 vítimas às portas da prisão de Altamira, no Pará KAIO MARCELLUS / EPA

O balanço dos confrontos na prisão de Altamira, no Pará, na segunda-feira, subiu para 57 mortos, fazendo deste motim o mais mortífero desde o massacre na cadeia de Carandiru, em 1992, quando morreram 111 presos.

A imprensa brasileira diz que por trás da violência no Centro de Recuperação Regional de Altamira esteve um confronto entre facções criminosas que lutam pelo controlo das rotas de tráfico de droga no Norte do Brasil. Membros de um dos grupos incendiaram a ala onde estavam os detidos de uma facção rival. Ao todo, 41 presos morreram por asfixia e os restantes 16 foram decapitados, segundo a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará, citada pelo site G1.

O motim durou mais de cinco horas e dois polícias chegaram a ser retidos como reféns, mas acabaram por ser libertados. Não foi encontrada qualquer arma de fogo, apenas objectos cortantes artesanais.

O governo do Pará ordenou a transferência de 46 reclusos suspeitos de terem participado no massacre, dos quais dez, considerados líderes do grupo, foram colocados numa prisão federal. “O objectivo é tirar do mesmo ambiente as facções rivais”, explicou o secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Pará, Ualame Machado.

Os episódios de violência nas prisões do Norte e Nordeste são cada vez mais frequentes e os especialistas apontam vários factores, entre os quais a sobrelotação das instalações penitenciárias e a intensificação da guerra entre facções pelo controlo de rotas de tráfico de droga. A penitenciária de Altamira tinha capacidade máxima para 163 presos, mas contava com 343 e as condições estruturais da cadeia foram consideradas “péssimas” por um relatório do Conselho Nacional de Justiça.

O governo estadual identificou as facções envolvidas como o Comando Classe A e o Comando Vermelho. Ambas lutam pelo controlo da rota do Solimões, que abrange a região fronteiriça entre o Brasil, Peru e Colômbia, considerada uma das mais lucrativas para a comercialização de cocaína.

O último incidente do género ocorreu numa unidade prisional em Manaus, em Maio, em que morreram 55 presidiários. Desde o início de 2017 que mais de 220 presos foram assassinados nas prisões brasileiras do Norte e Nordeste em confrontos entre facções.