CGD aumenta lucros em 46% para 282,5 milhões

Paulo Macedo não quis comentar o caso Berardo, mas foi adiantando todas as vias que o banco tem ao seu dispor para executar as dívidas dos grandes devedores.

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LUSA/ANTÓNIO COTRIM

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou lucros de 282,5 milhões de euros no primeiro semestre de 2019, o que compara com os 194 milhões de euros registados no mesmo período de 2019, divulgou hoje o banco. O valor registado neste semestre corresponde a um aumento de 46% face ao período homólogo do ano passado.

De acordo com o comunicado do banco, a actividade em Portugal gerou um lucro de 196,5 milhões de euros no primeiro semestre, o que compara com 118,7 milhões no mesmo período do ano passado.

A CGD entrou na segunda fase de recuperação, com a necessidade de melhorar a conta de resultados, explicou Paulo Macedo em conferência de imprensa, sublinhando que o grupo procedeu já a uma limpeza de balanço, expressa na redução do crédito malparado - o rácio de Non Performing Loans (NPL) caiu para 7,3%, com um aumento do nível de cobertura para 64,3%.

Em paralelo, até Dezembro de 2022, a CGD vai ter de emitir dívida até 2 mil milhões de euros, o que terá reflexos na margem financeira.

Sobre o caso Berardo (a decisão favorável do tribunal de arrestar as obras de arte da colecção de arte), Paulo Macedo adiantou que não comenta “casos individuais”. E começou a enumerar o que a CGD pode fazer para lidar com os seus grandes devedores: execução dos devedores, execução das garantias reais, execução dos avalistas, pesquisa de bens que podem ser executadas, apresentação de queixas-crime, colaboração com os outros bancos e com as autoridades. Mas não deu mais esclarecimentos, para além de revelar que os desenvolvimentos em torno de Berardo não têm qualquer efeito nas contas dos bancos.

Paulo Macedo garantiu que tudo o que está ao seu alcance para minimizar perdas tem sido feito, sublinhando no entanto que a CGD não é polícia.

Em termos de política comercial “a CGD tem como prioridade fazer crédito, o que temos vindo a fazer e onde pela primeira vez estamos a crescer, quer no crédito aos particulares quer nas empresas”.

O banqueiro confirmou que as comissões bancárias correntes não estão a subir na CGD, nem em nenhum banco. Uma situação que vai levar a instituição a procurar compensar o défice, cobrando maiores comissões noutros produtos, como seguros.

Menos trabalhadores

Durante o mesmo período, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) reduziu o número de trabalhadores em 172 no primeiro semestre. A CGD tem estado num processo de redução de trabalhadores desde que foi recapitalizada e negociou o plano de reestruturação com a Comissão Europeia.

Em Maio, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, disse que em termos líquidos (saídas-contratações) a expectativa para este ano é que saiam cerca de 570 pessoas (entre pré-reformas, rescisões por mútuo acordo e não renovação de contratos a termo).

Os dados divulgados esta terça-feira indicam que, até Junho, já tinham saído 172 funcionários, uma vez que a CGD tinha 7503 funcionários em Portugal no final de Junho, face aos 7675 de final de 2018.

Já em agências, a redução foi de duas neste semestre, tendo o banco público 520 agências em Junho.

No âmbito do processo de recapitalização acordada em 2016 com a Comissão Europeia, de quase 5000 milhões de euros (dos quais 2500 milhões de injecção directa do Estado), a CGD iniciou um processo de reestruturação que incluía a saída de 2200 trabalhadores até 2020 (isto depois das centenas que já tinham saído nos anos anteriores).

O banco iniciou, então, processos de saída por acordo, com pagamento de indemnizações, tendo saído 547 pessoas em 2017 e 646 trabalhadores em 2018.

Contudo, terão de continuar a sair centenas de trabalhadores este ano e no próximo para cumprir os objectivos acordados com Bruxelas.

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