MP de Leiria acusa mulher de tentativa de homicídio do companheiro

Vítima não morreu apenas por ter sido atempadamente socorrida por terceiro, segundo a acusação.

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Mulher acusada está em prisão preventiva paulo pimenta

O Ministério Público de Leiria deduziu acusação contra uma mulher, de 43 anos, pela prática dos crimes de homicídio qualificado, na forma tentada, e detenção de arma proibida, disse a Procuradoria da República da Comarca de Leiria.

Segundo a nota do MP, publicada na página de internet da Procuradoria, a arguida é suspeita de, no dia 2 de Janeiro de 2019, na residência de ambos, “ter tentado matar o seu companheiro, disparando várias vezes sobre ele, com uma pistola semiautomática, acertando-lhe no peito e no antebraço”. Já depois de a arma ter encravado, “desferiu-lhe uma pancada na cabeça com uma pedra”.

A acusação refere que a “vítima não morreu apenas por ter sido atempadamente socorrida por terceiros, sendo que a arguida se colocou em fuga imediatamente após a prática dos factos, vindo a ser localizada quando se encontrava na Estação do Oriente, em Lisboa, e se preparava para embarcar [de comboio] para Madrid”. A arguida encontra-se em prisão preventiva.

O inquérito foi dirigido pelo MP da 1ª Secção das Caldas da Rainha do Departamento de Investigação e Acção Penal de Leiria, com a coadjuvação da Polícia Judiciária de Leiria.

Tentativa de fuga do país

Na altura dos factos, o coordenador da PJ de Leiria, Gil Carvalho, explicou que, após “mais uma discussão entre um casal, a mulher, de 43 anos, empregada de escritório, munida de uma pistola transformada, desferiu três tiros” no companheiro, de 54 anos, com quem vivia há cerca de 14 anos, atingindo-o nas costas, no peito – “perto de órgãos vitais” – e no braço.

Em seguida, a mulher terá agredido o homem, empregado numa pedreira, com um “pedregulho”, causando “uma lesão forte” no crânio. Pouco depois, a agressora, que terá ligado para o INEM, fugiu no carro do casal.

“O veículo viria a ser localizado em Santarém. A mulher teve ajuda de amigos – que já foram ouvidos como testemunhas e não são cúmplices – e trocou de transporte várias vezes, utilizando meios públicos e privados”, acrescentou Gil Carvalho.

Recorrendo a todas as diligências possíveis e meios legais, a PJ de Leiria foi no encalce da suspeita, que ainda tentou ludibriar os inspectores, dirigindo-se ao aeroporto. Daqui, seguiu para a Gare do Oriente, onde foi detida, “com vestes diferentes e na posse de um bilhete de comboio”, “perspectivando-se a sua saída do país”.