CDS quer mais apurar responsabilidades a um nível “mais alto” do que um adjunto

Centristas dizem que adjunto do secretário de Estado da Protecção Civil que se demitiu não pode ficar como “bode expiatório” no caso das golas de anti-fumo distribuídas pela Protecção Civil.

Eduardo Ferro Rodrigues
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Nuno Ferreira Santos

O CDS defendeu esta segunda-feira que o apuramento de responsabilidades no caso dos “kits” de protecção do programa “Aldeias Seguras” tem de “ir mais longe e mais alto”, além do adjunto do secretário de Estado da Protecção Civil, Francisco Ferreira, que se demitiu na sequência das notícias sobre o caso.

Em declarações à agência Lusa, o dirigente e deputado do CDS Telmo Correia criticou o “jogo” do empurra de responsabilidades entre primeiro-ministro, ministro da Administração Interna e secretário de Estado neste caso, que acabou no “técnico especialista, que é autarca ou dirigente do PS local, com a profissão de padeiro, e que será o bode expiatório disto tudo”.

“É evidente que me parece muito pouco. Não começamos por pedir demissões, antes do apuramento dos factos, mas obviamente que o apuramento de responsabilidade, na nossa opinião, tem que ir mais longe e tem que ir mais alto”, acrescentou.

Telmo Correia ironizou não esperar, da parte do primeiro-ministro, António Costa, que venha a assumir “qualquer tipo de responsabilidade”, pelos exemplos passados, nos grandes incêndios florestais de 2017 ou ainda no caso do furto de material militar dos paióis de Tancos, também nesse ano.

“Há um responsável que não tem nada a ver com o assunto, não saberá de nada, estará ao largo ou a ver as coisas por uma televisão que é o primeiro-ministro, António Costa”, acrescentou.

Para Telmo Correia, este é um caso que “revela o PS no seu esplendor, de compadrios vários”, acusou.

O técnico Francisco Ferreira, adjunto do secretário de Estado da Protecção Civil, demitiu-se hoje, após ter sido noticiado o seu envolvimento na escolha das empresas para a produção dos “kits” de emergência para o programa “Aldeias Seguras”, tendo o pedido sido aceite pelo secretário de Estado da Protecção Civil, José Artur Neves.

O Jornal de Notícias, que já tinha noticiado sexta-feira o facto de as 70 mil golas anti-fumo, com um custo de 125 mil euros, serem de material inflamável e não terem tratamento anti-carbonização, adiantou esta segunda-feira que Francisco Ferreira, também presidente da concelhia do PS/Arouca, foi quem recomendou as empresas para a compra das golas, 15 mil “kits” de emergência com materiais combustíveis e panfletos entregues às 1.909 povoações abrangidas pelo programa.

No sábado, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, mandou abrir um inquérito urgente sobre contratação de material de sensibilização para incêndios.